E agora, PT?

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Marco Wense

Esse Fernando Gomes não é fácil. Esperou o resultado final do julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para dizer que não tem compromisso nenhum com o PT.

Cozinhou o PT em banho-maria. Usou, usou e agora descartou. E para mostrar sua independência, ainda disse, com todas as letras maiúsculas, que não vai votar em Jaques Wagner para o Senado.

“Eu apoio Rui Costa, não tenho compromisso com Wagner e nem com o PT”, verberou o prefeito de Itabuna, deixando claro que o ex-governador é adversário político.

E mais: em conversas reservadas, no chamado núcleo duro do fernandismo, já há uma decisão de não apoiar uma eventual candidatura de Lula – ou de qualquer outro petista – na eleição presidencial de 2018.

E agora? Como é que o comando estadual do PT, sob a batuta de Everaldo Anunciação, vai se comportar diante da “rebeldia” do alcaide?

O PT vai ser solidário com Wagner ou ficar do lado de Fernando Gomes, que não quer saber de PT, PT, PT de jeito nenhum?

Fernando Gomes pode até usar a expressão da ex-presidente Dilma Rousseff: Nem que a vaca tussa eu apoio Lula, Wagner e nem deputado do PT.

Que coisa, hein! Coisas da política. Do movediço e traiçoeiro mundo político.

Loucos e irresponsáveis

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Marco Wense

Mesmo diante de um gigantesco rombo nas contas públicas, os senhores “homens públicos” só pensam em milhões de reais para bancar suas campanhas eleitorais.

Essa é a preocupação principal dos deputados e senadores em detrimento da discussão sobre o caos na saúde, na educação e o degringolar da economia.

Quando é para aprovar projetos que beneficiam diretamente a população, é um Deus nos acuda. Mas tudo é muito rápido se é para deixar os parlamentares alegres e satisfeitos.

Tem até os que acham que R$ 3,6 bilhões do fundo partidário é pouco. Mudaram até o nome do “fundão”. Agora é o pomposo Fundo Especial de Financiamento da Democracia, o FEFD.

E mais (1): enquanto discutem a dinheirada para financiar as campanhas, já arquitetam um jeito – conhecido como jeitinho brasileiro – de permanecer na Casa Legislativa via “distritão”.

E mais (2): na calada da noite, como se fossem lobisomens esperando a lua cheia, tem também os que defendem a implantação do parlamentarismo.

Ora, ora, parlamentarismo em um país com um Congresso deteriorado, enraizado pelo toma-lá-dá-cá, vai durar menos do que cheiro de carro novo.

Concluo dizendo o óbvio ululante: salvando-se poucos, são todos loucos e irresponsáveis. A minha saudosa vovó Nair diria que merecem uma boa surra de cansanção. E no bumbum.

Anunciação e o “Volta Wagner”

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Marco Wense

Jaques Wagner, de maneira incisiva, descartou qualquer possibilidade de sair candidato ao Palácio de Ondina na eleição de 2018.

“Chance zero”, disse o ex-governador e atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, se mostrando surpreso com o assunto e até irritado.

“Não existe nenhum movimento neste sentido na base aliada. Isso deve ter partido do lado de lá”, desabafou o não menos chateado Everaldo Anunciação, presidente do PT da Bahia.

Até as freiras do Convento das Carmelitas sabem que só tem uma hipótese que poderia levar Wagner para a disputa: uma acentuada impopularidade do governo Rui Costa.

O risco de uma não reeleição levaria o petismo a convencer Wagner a sair candidato. A última pesquisa aponta um empate técnico entre Rui e ACM Neto, com o prefeito de Salvador na frente.

Acontece que o “Volta Wagner” não foi parido na oposição, como insinua Anunciação. Surgiu pela voz do inquieto Ângelo Coronel,  filiado ao PSD do senador Otto Alencar.

Como o Coronel é o presidente da Assembleia Legislativa, e desses que não tem papas na língua, o PT preferiu atribuir a origem do “Volta Wagner” ao oposicionismo.

O PT sabe com quem mexe. E logo quem, o Coronel, que pode a qualquer provocação chutar o pau da barraca.

Continuam os mesmos

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Marco Wense

Os senhores políticos, com as pouquíssimas exceções, olham cada vez mais para o próprio umbigo. A regra é que se dane o eleitor. Farinha pouca meu pirão primeiro.

Essa reforma política, do jeito que vem sendo arquitetada, é a prova inconteste do desprezo, do desdém e da falta de respeito dos “homens públicos” com os representados.

São assim porque têm na falta de memória do cidadão-eleitor-contribuinte a tábua de salvação, a sobrevivência política, sem falar na passividade do povo brasileiro.

É incrível como se comportam publicamente de um jeito e nos bastidores, na calada da noite, agem diferente, como anjos e diabinhos ou lobos em pele de cordeiro.

Falam disso e daquilo, que é preciso mudar, que o sistema eleitoral está podre. Tudo de mentirinha. São como camaleões.

Os “cordeiros”estão preocupados com duas coisas: com os R$ 3,6 bilhões do fundo partidário e o melhor caminho para permanecer no poder.

Aliás, o distritão tem como finalidade manter o foro privilegiado dos atuais parlamentares e evitar o surgimento de novas lideranças, o que faz lembrar o regime militar.

Que me desculpem os caros leitores pela linguagem, o que foge do meu estilo. Mas esse fundo e o tal do distritão são duas inomináveis esculhambações.

Ora, ora, são os próprios políticos os responsáveis por esse lamaçal que toma conta da República. São eles que pariram “mateus”, então cuidem do monstrengo.

Não à toa que recente pesquisa do instituto Ipsos aponta uma estrondosa rejeição à classe política, com 94% dizendo que os políticos que estão no poder não representam a sociedade.

Se os resultados das enquetes espelhassem o comportamento do eleitor nas urnas, muitos “homens públicos” não retornariam ao Parlamento.

É aí que entra a tábua de salvação dos que querem permanecer na Casa Legislativa, que é a falta de memória do eleitorado. As pesquisas dizem uma coisa, mas termina as urnas dizendo outra.

Votar em quem nunca se candidatou, sem dúvida um tapa bem dado não só na dinheirada do fundo como no famigerado “distritão”.

Bolsonaro e o TSE

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Marco Wense

Jair Bolsonaro, segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto, já tem sua desculpa para uma eventual derrota na eleição presidencial: as urnas eletrônicas.

O polêmico e irreverente deputado, em conversas reservadas, diz, com todas as letras maiúsculas, que o modelo de votação não é confiável.

Fala com uma convicção de quem sabe de alguma coisa, mas não tem provas para levar adiante seus devaneios.

Bolsonaro, taxado como político preconceituoso, sempre se assentou no argumento de que as urnas eletrônicas foram rejeitadas em 50 países.

Já chegou a dizer que “o capeta de nove dedos será eleito em 2018 se o Brasil não adotar o voto impresso”, obviamente se referindo ao ex-presidente Lula.

Se Bolsonaro voltar à tona com suas enviesadas acusações, só resta ao Tribunal Superior Eleitoral um pedido de explicação, sob pena do silêncio reforçar as reflexões do parlamentar.

O “quem cala consente” não serve só para as pessoas físicas. O TSE não pode ficar sob suspeição e, muito menos, perder a confiança do eleitor-cidadão-contribuinte.

Félix e as amêndoas de cacau

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Marco Wense

O deputado Félix Júnior, presidente estadual do PDT, enviou representação à Procuradoria-Geral da República para impedir a importação de cacau por empresas produtoras de chocolate no Brasil.

O parlamentar, que faz um bom trabalho na Casa Legislativa, argumenta a existência de liberação de incentivos fiscais na importação e a concorrência de países que utilizam trabalhos escravo e infantil em suas plantações, como Camarões, Gana e Costa do Marfim.

Outra preocupação de Félix, que representa a bancada da Bahia na Câmara dos Deputados, diz respeito a possibilidade de contaminação por pragas pelo fruto importado.

“Entre as principais ameaças, está a monilíase do cacaueiro, praga ainda mais grave do que a vassoura-de-bruxa”, diz o deputado.

Félix Júnior vem a Itabuna, no próximo dia 18, para a inauguração do novo diretório da legenda, sob à presidência do médico Antônio Mangabeira.

A opinião do Busílis

O Brasil ainda é um grande produtor de cacau amêndoa, mas, nos últimos anos, sua produção não tem sido suficiente para abastecer o mercado interno.

Diante dessa constatação o governo, totalmente omisso, acena com facilidades para importação, se eximindo da devida atenção aos produtores e a produção nacional.

O Brasil já deu provas de sua potencialidade na cadeia produtiva do chocolate, mas, infelizmente, falta planejamento, assistência rural e creditícia, além de uma política específica para o setor.

Sem planejamento de médio e longo prazo, sem a devida atenção ao setor chocolateiro nacional, restará sempre à opção mais perigosa: importar amêndoas de cacau sem os devidos controles fito sanitários e sem qualquer preocupação com a sustentabilidade do mercado interno.

 

Querendo sair da lama

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Marco Wense

O PSDB vai tentar se aproximar do eleitorado via propaganda partidária no horário destinado aos partidos políticos, mais especificamente na telinha.

“O PSDB errou”. Esse será o mote do tucanato para amenizar a decepção dos eleitores com a legenda e suas principais lideranças.

Uma autocrítica que deve ser seguida por outros partidos, também atolados no lamaçal que toma conta da República Federativa do Brasil, como o PT, PMDB, PP, PR…

Para alcançar o fim desejado, será preciso dizer que “nós erramos, metemos a mão nos cofres públicos”. Quem sabe assim, com muita sinceridade, o eleitor possa perdoar.

O senador Aécio Neves, que é o presidente nacional do PSDB, foi alijado do programa: “Não participei da elaboração do vídeo”, diz o tucano.

Sendo alvo de nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal, o ex-presidenciável tem que se conformar com o apagão definitivo na sua carreira política.

Às custas do dinheiro público, muitos ficaram ricos. Uma riqueza pobre, indigna e vergonhosa, que faz qualquer filho ter vergonha do pai (ou da mãe).

A reforma política e as denúncias contra Temer

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Por Marco Wense e Marcos Vinícius Anjos

A reforma política pode servir de instrumento para barrar uma possível segunda denúncia, contra o presidente Temer na Câmara dos Deputados.

A primeira etapa das negociações, já em andamento, servirá como test-drive para a reforma política e poderá ter ponto alto nos embates na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa).

A acusação, por crime de obstrução da justiça, deve ser protocolada nos próximos dias pela PGR (Procuradoria-Geral da República), ainda comandada por Rodrigo Janot e exigirá novo esforço de Temer para barra-lá.

A tropa de choque palaciana está atenta e já conversa com os partidos para arregimentar apoio.

Dessa vez, além das emendas parlamentares os governistas também colocarão na mesa de negociação a temida “cláusula de barreira” proposta na reforma política.

Considerada um terror para os pequenos partidos, “os nanicos”. A cláusula de barreira pode significar a desintegração de muitas legendas pequenas, obrigando a incorporação a partidos maiores já em 2018.

Para garimpar votos na CCJ e barrar a nova denúncia, os governistas acenam para os pequenos partidos com a possibilidade de flexibilizar e até adiar a implantação da cláusula de barreira.

O argumento é sedutor e pode assegurar sobrevida aos partidos nanicos em troca da sobrevida do presidente Temer.

Até setembro, quando terá que deixar a PGR, Rodrigo Janot seguirá incansável na sua obsessão por derrubar o presidente Temer. Já se cogita uma “terceira denúncia”, a de “organização criminosa”, fruto das delações de Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro.

PS. A cláusula de barreira tem como propósito reduzir a fragmentação política. As legendas que não obtiverem o mínimo 2% dos votos nas eleições gerais de 2018 e 3% nas de 2022, perderão o acesso ao fundo partidário, tempo de rádio e televisão e a estrutura funcional do Congresso, tornando-se impossibilitados de indicar titulares em CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), participarem das comissões permanentes e terem direito à liderança ou cargos na Mesa Diretora das casas legislativas.

Que país é esse?

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Marco Wense

Esses aumentos que o governo Temer quer fazer para tampar o rombo nas contas públicas, como, por exemplo, na alíquota do imposto de renda da pessoa física, é inaceitável.

Depois de gastar milhões de reais para bloquear a denúncia de corrupção passiva na Câmara dos Deputados, na base do já enraizado toma-lá-dá-cá, o mandatário-mor manobra para que o cidadão se sacrifique em nome do ajuste fiscal.

Como é um governo desacreditado, os brasileiros desconfiam que o dinheiro vai ser usado para evitar que a segunda denúncia contra Temer, por obstrução da justiça, seja enviada para o STF. É bom lembrar que tem uma terceira por organização criminosa.

Questionada sobre a corrupção no Brasil e essa ingerência de um Poder em outro, enterrando a imprescindível independência, a ex-ministra de Justiça da Alemanha, Herta Daubler, resumiu todo lamaçal em poucas palavras: “Brasil é outro mundo”.

E o pior, o que faz com que o eleitor-cidadão-contribuinte fique cada vez mais revoltado, é o Ministério da Saúde dizer que não tem verbas para comprar remédios que podem salvar a vida de um ser humano.

Enquanto as pessoas morrem, o governo vive, mesmo diante dos escândalos que tomam conta da República. Ou melhor, da republiqueta.

Jogam na lata do lixo a Lei Maior, o preceito constitucional que diz, no artigo 196, que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”.

Que país é esse? Que país é esse? O saudoso compositor Renato Russo tinha razão. E muita razão. Pobre do país que tem pobres governantes, obviamente de espírito público.

Vem aí o “distritão”

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Marco Wense

Para que alguma mudança seja implementada nas eleições de 2018, é preciso que sua aprovação, no âmbito da reforma política, aconteça até o final de setembro.

O chamado distritão, que elege os mais votados em cada Estado, dando fim as coligações na proporcional, parece que caminha para um consenso.

Na Bahia, são 39 vagas para o Parlamento federal e 63 cadeiras na Assembleia Legislativa. Toma posse quem tiver mais votos, uma espécie de campeonato por pontos corridos.

Essa alteração pode evitar que um candidato com menos votos seja empossado em detrimento de quem se saiu melhor nas urnas.

As votações de Davidson Magalhães e Geraldo Simões, só para citar um exemplo bem tupiniquim, respectivamente pelo PCdoB e PT, superaram a de Uldurico Júnior pelo PTC.

Magalhães obteve 65.171 votos, Simões 55.636 e Uldurico 39.904, que acabou sendo eleito em decorrência do cálculo no coeficiente eleitoral.

Confesso que ainda tenho algumas dúvidas sobre o distritão, se o novo modelo pode causar uma hegemonia de um determinado partido nas Casas Legislativas.

A princípio, sem analisá-lo mais detalhadamente, vejo com bons olhos o fato de evitar que um candidato termine sendo eleito pongando na votação do outro.

Essa não é minha opinião definitiva. Preciso entender melhor como vai funcionar o “distritão”, principalmente em relação ao surgimento de novas lideranças.

Os contrários, e com uma certa razão, usam o argumento de que o distritão é para reeleger os atuais deputados e, como consequência, garantir mais quatro anos de foro privilegiado.

Mangabeira e a eleição de 2018

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Marco Wense

Levantamento realizado pelo instituto Paraná Pesquisas, entre os dias 3 e 7 de agosto, aponta a mesma conclusão de uma enquete em Itabuna.

Ou seja, a maioria do eleitorado pretende votar em quem nunca disputou uma eleição, o que pressupõe uma boa e indispensável renovação no apodrecido cenário político.

O médico Antônio Mangabeira ficou entusiasmado com a votação que pode ter em Itabuna, deixando o segundo colocado bem distante.

O ex-candidato a prefeito de Itabuna, com seus quase 19 mil votos, aparece melhor na consulta quando seu nome é citado para a Câmara Federal.

Saindo para federal, com o aval do comando estadual do PDT, sob a batuta de Félix Júnior, o pedetista fará uma dobradinha com o ex-vereador de Ilhéus, Cosme Araújo, candidatíssimo a deputado estadual.

Cosme, advogado, político destemido e sem papas na língua, é o dirigente-mor da legenda na irmã e vizinha cidade. Lá o PDT fez três vereadores e ainda tem um suplente.

No próximo dia 18, uma sexta-feira, Félix vem a Itabuna para prestigiar a inauguração da nova sede do diretório municipal e conversar com a militância sobre as eleições de 2018.

A candidatura de Mangabeira será a pauta principal.  Vale lembrar que Félix obteve mais de 130 mil votos no pleito passado e foi o único candidato votado em todos os municípios.

Alguns diretórios e comissões provisórias do Partido Democrático Trabalhista, mais especificamente do sul da Bahia, já manifestaram apoio a Mangabeira.

Sem dúvida, um bom nome para representar Itabuna, seja na Assembleia Legislativa do Estado ou no Congresso Nacional.

Doria, Bolsonaro e os ovos

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Marco Wense

Em Salvador, para receber o título de Cidadão Soteropolitano, o prefeito de São Paulo, o tucano João Doria (PSDB), foi alvo de uma ovada por parte de petistas e comunistas.

O acontecimento me fez lembrar dos filmes épicos, da chuva de flechas contra os inimigos, que se protegiam com os escudos. Doria e ACM Neto usaram o guarda-chuva.

Lamentável. É o mínimo que se pode dizer. Não há mais espaço para esse tipo de comportamento. O tiro quase sempre sai pela culatra.

Assim como existem os vândalos do patrimônio público, tem também os do processo político, os adversários do Estado democrático de direito. Os imbecis de plantão.

Não deixa de ser vandalismo, a irresponsável acusação de que foi o governador Rui Costa (PT) que incitou a ovada, pagando R$ 70 reais para os militantes.

No frigir dos ovos, a ovada terminou ajudando o mandatário paulistano, que disputa o cobiçado antipetismo com o também presidenciável Jair Bolsonaro.

Os bolsonaristas estão com inveja dos doristas. Procuram um vereador para propor a mesma honraria ao seu líder e rezam para uma nova chuva de ovos.

Jair Bolsonaro, por encarnar o pré-candidato mais anti-Lula e, obviamente, anti-PT, é o segundo colocado nas pesquisas de intenções de votos para o Palácio do Planalto.

Doria corre atrás desse atraente protagonismo do antipetismo, e nada melhor do que uma ovada para oxigenar sua estratégia política.

Como pretende voltar a Salvador, ainda em 2017, a torcida é para que os ovos sejam pintados de vermelhos com desenhos de estrelas, foices e martelos.

Bolsonaro e Doria vão disputar palmo a palmo as ovadas do PT e do PCdoB, para o azar de Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Joaquim Barbosa.

PR, PSD, PP e a sucessão estadual

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Marco Wense

A ordem no PR é não fechar a porta para ACM Neto, já que a chance de integrar a chapa majoritária governista é cada vez mais remota.

A vice deve continuar com João Leão, do PP. Uma vaga para o senado é de Jaques Wagner (PT). A outra é do PSD do senador Otto Alencar.

O ponto comum entre o PP, PR e o PSD é que fazem parte do chamado “centrão”, grupo que apoia o governo Temer na base do toma-lá-dá-cá.

Outro detalhe é que as cúpulas desses partidos, alojadas lá em Brasília, são contrárias a essa aliança com o governador Rui Costa, preferem apoiar ACM Neto na disputa pelo Palácio de Ondina.

Quando o assunto é o centrão do Jaburu, os petistas da Bahia falam cobras e lagartos. Mas quando é o daqui, ficam silenciosos. O da Bahia é legítimo, o de lá é do Paraguai.

PR, PP o PSD se assemelham nas ameaças de rompimento com o governador. O trio costuma mandar recados nas entrelinhas.

Com efeito, quando questionado se o apoio à reeleição de Rui Costa é favas contadas, o senador Otto sempre deixa uma expectativa no ar: “… a não ser que haja acidente de percurso”.

Esse “acidente de percurso” é o mesmo do deputado José Carlos Araújo, presidente estadual do PR, e do PP do vice Leão. Ou seja, apoiar ACM Neto se ficar fora da majoritária.

A desculpa para um eventual apoio ao prefeito soteropolitano serve para o PR, PP e o PSD. Suas lideranças vão dizer que seguem uma decisão do comando nacional.

E o que pode amenizar essa disputa para compor a majoritária governista? Sem dúvida, os resultados de pesquisas de intenções de voto colocando ACM Neto na frente.

Neste caso, a briga passa a ser com o PMDB dos irmãos Vieira Lima, o PSDB de João Gualberto e o DEM de Aleluia.

Perdeu a vaga

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Marco Wense

A votação da denúncia envolvendo o presidente Michel Temer pode provocar problemas para ACM Neto na composição da chapa majoritária.

Uma das vagas para a disputa do Senado – a outra é do PMDB – estaria reservada para o deputado Jutahy Júnior (PSDB).

Depois do voto a favor do encaminhamento da acusação ao STF, não se considera mais como favas contadas sua indicação.

A pressão contra Jutahy virá do Palácio do Jaburu, da cúpula do DEM e do próprio tucanato, tendo na linha de frente Imbassahy, ministro da secretaria de Governo.

Para a sorte do tucano, o chamado Centrão lá de cima não é o mesmo dos Estados. Aqui na Bahia, por exemplo, PP, PR e o PSD são aliados do governador Rui Costa (PT).

A confusão é geral. O cinismo triunfa. Tem até as “cobras” de duas cabeças. No planalto, nas negociações para liberar o dindin, são temistas. Na planície, adeptos do “Fora Temer”.

O jogo do poder

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Marco Wense

As cúpulas partidárias, principalmente das legendas que têm maior expressão nacional, na medida que se aproxima as eleições de 2018, vão selecionando suas prioridades.

Vai chegar a hora do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” e do “escreveu não leu, o pau comeu”. Os incomodados que procurem outro caminho.

É assim que funciona a ditadura dos partidos políticos, o mandonismo dos que se acham proprietários vitalícios das agremiações partidárias.

E aí não cabe a máxima de que toda regra tem exceção. Os interesses lá de cima não podem ser contestados pelos subordinados de baixo.

O PSB, por exemplo, já definiu o melhor rumo: comandar o Palácio dos Bandeirantes com Márcio França, que assumiria o cargo de governador por seis meses.

França é o vice de Geraldo Alckmin, mandatário-mor do Estado de São Paulo. O tucano, obviamente do PSDB, teria que se desincompatibilizar para disputar à presidência da República.

Para os socialistas, essa é a maneira mais pragmática da legenda subir alguns degraus no movediço e traiçoeiro mundo político, já que não dispõe de nomes com densidade eleitoral para uma eleição presidencial.

Como contrapartida a uma coligação com o PSB, o presidenciável Alckmin, sem dúvida a melhor opção do tucanato, apoiaria França na reeleição para governador em 2018.

E mais: o DEM indicaria o vice de Alckmin na condição do PSB baiano, sob a batuta da senadora Lídice da Mata, apoiar a candidatura de ACM Neto ao Palácio de Ondina.

Setores do PSB até que admitem uma conversa com o DEM, mas Lídice se mantém resistente a uma aproximação dos socialistas com os demistas.

O problema é a prioridade da cúpula nacional do PSB, cada vez mais interessada no Palácio dos Bandeirantes. É o “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.