A Europa se torna o maior importador de armas, cuidado com as ameaças russas

Harianjogja.com, JOGJA—O mapa do poder militar global está passando por mudanças significativas. Os últimos dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) citados pela Reuters, segunda-feira (03/09/2026) mostram que a Europa é agora a maior região importadora de armas do mundo, desencadeada por preocupações sobre a agressão russa e pela incerteza sobre os compromissos de segurança dos Estados Unidos.
Atualmente, os países europeus representam cerca de 33% do total das importações globais de armas. Este número aumentou drasticamente de apenas 12 por cento no período 2016–2020.
Este aumento reflecte uma mudança na estratégia de segurança na região, especialmente depois do aumento das tensões geopolíticas com a Rússia.
Fatores determinantes
Existem dois factores principais que impulsionam o aumento das despesas militares nos países europeus.
O primeiro é o apoio militar à Ucrânia, que enfrenta uma invasão russa. Muitos países europeus estão a aumentar a aquisição de armas para ajudar a Ucrânia a defender o seu território.
A segunda são os esforços de modernização militar, depois de o investimento no sector da defesa ter demorado décadas.
O Diretor do Programa de Transferência de Armas do SIPRI, Mathew George, disse que o aumento nas importações ajudou a aumentar as transferências globais de armas em quase 10 por cento.
Segundo ele, embora vários países europeus estejam a tentar fortalecer a sua indústria de defesa nacional, a dependência da tecnologia militar dos Estados Unidos ainda é muito grande. Isto é especialmente observado na aquisição de aviões de combate e sistemas de defesa antimísseis.
Dinâmica do Médio Oriente
Em contraste com a Europa, a região do Médio Oriente registou, na verdade, um declínio nas importações de armas de cerca de 13 por cento no mesmo período.
No entanto, o investigador sénior do SIPRI, Pieter Wezeman, acredita que este declínio é provavelmente apenas temporário.
Vários contratos de compra de armas entre a Arábia Saudita e o Qatar ainda estão em fase de integração. Além disso, a dinâmica dos conflitos regionais envolvendo o Irão, bem como as tensões com os Estados Unidos e Israel deverão desencadear uma onda de novas encomendas.
Dominação dos Estados Unidos
No mapa global da exportação de armas, os Estados Unidos reforçam cada vez mais a sua posição como maior exportador do mundo.
O país controla cerca de 42 por cento da quota do mercado global de exportação de armas, um aumento em relação aos 36 por cento anteriores.
Em segundo lugar está a França com uma quota de cerca de 9,8 por cento.
Entretanto, a Rússia registou um declínio acentuado, controlando apenas cerca de 6,8% do mercado global, abaixo dos 21% após a invasão da Ucrânia em 2022.
Mudança no mapa militar global
Coletivamente, os países europeus representam atualmente cerca de 28% do total das exportações mundiais de armas.
Este número mostra a capacidade cada vez maior da indústria de defesa da Europa, chegando mesmo a atingir quatro vezes a da Rússia e cinco vezes a da China em termos de fornecimento do equipamento principal para sistemas de armas globais (alutsista).
Estes dados mostram que o mundo está a entrar numa nova fase da corrida armamentista. A incerteza da segurança internacional incentiva muitos países a aumentar a sua força militar, o que acaba por alterar a configuração das alianças e o equilíbrio global de poder.
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