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‘Disney sem Mickey não existe’: Por dentro do espetáculo paralelo de Neymar na Copa do Mundo e por que há um clamor para escolher o ídolo caído, sua cara noite de pôquer, o desprezo do aniversário, por que Carlo Ancelotti está firme e o que isso significa para Matheus Cunha


A onze semanas da Copa do Mundo e em todo o Brasil há festas para planejar. Há cervejas para comprar e relaxar, churrascos para preparar e ruas para decorar. A paixão pelo maior espectáculo do futebol ainda está viva no seu país mais bem sucedido, mas poucos prevêem que as celebrações se seguirão.

Carlos Ancelotti não despertou a imaginação como muitos esperavam quando chegou com grande alarde de Real Madrid no verão passado. Sua equipe está se preparando para ser trabalhadora e funcional, mas limitada, e os brasileiros dirão que seus melhores times na Copa do Mundo sempre foram aqueles cheios de talento criativo e uma pitada do antigo joga bonito.

Daí o contínuo espetáculo paralelo que acontece por aí Neymara omissão de um elenco que vai aos Estados Unidos jogar amistosos contra a França na quinta-feira e a Croácia na terça-feira.

Tem sido um período constrangedor para o Brasil desde a Copa do Mundo do Catar, onde, pela quarta vez em cinco arremessos fracassados ​​no hexa – sexta vitória em Copas do Mundo – foi eliminado nas oitavas de final, derrotado nos pênaltis pela Croácia. A passagem de Primeiro aos 82 anos, logo após a arquirrival Argentina ter erguido o troféu pela terceira vez, parecia uma chamada de tempo para a reivindicação do Brasil de ser o rei indiscutível da Copa do Mundo.

Já se passaram 24 anos desde a última vez que conquistaram o troféu, igualando a seca entre o último dos três sucessos inspirados por Pelé em 1970 e a última vez que os EUA foram anfitriões em 1994. Isto pode ser interpretado como um presságio positivo – e há outros dos quais falaremos em breve – e ainda assim há preocupações, especialmente porque o processo de qualificação dificilmente tem sido sereno.

Sob o comando de Tite eles se classificaram com arrogância para a Rússia 2018 e Catar 2022liderando o grupo sul-americano em ambas as ocasiões. Em seis anos, Tite não perdeu nenhuma eliminatória.

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, no último anúncio da escalação. O histórico do italiano com o Brasil é, na melhor das hipóteses, difícil

Ancelotti se recusou a ceder à pressão pública e adicionar Neymar a qualquer um de seus elencos até agora

Nesta última campanha, o Brasil perdeu seis. A Argentina ficou na liderança do grupo de 10 países, com o Equador perdendo nove pontos em segundo e quatro países mais um ponto atrás. O Brasil ficou em quinto lugar, atrás da Colômbia e do Uruguai, mas à frente do Paraguai no saldo de gols.

Todos os seis se classificaram automaticamente sem pânico graças a esta versão ampliada da Copa do Mundo e a Bolívia, em sétimo lugar, está no novo torneio play-off intercontinental prestes a começar no México.

Portanto, não havia perigo de não se classificar. E para consolo, a última vez que o Brasil não conseguiu liderar a tabela de qualificação sul-americana foi a última vez que a venceu, em 2002.

Na ocasião, um emaranhado de cinco treinadores principais começou com Vanderlei Luxemburgo e terminou com Luiz Felipe Scolari. Uma vez no Japão e na Coreia do Sul, a equipe de Scolari foi inspirada pelo brilho do retorno de Ronaldo após dois anos de um inferno de lesões e o Brasil conquistou seu quinto título mundial.

Esta campanha barulhenta foi supervisionada por quatro chefes diferentes. Ramon Menezes substituiu Tite por três meses após o Catar, antes de dar lugar a Fernando Diniz, também interino, por mais seis meses.

Eles vinham tentando seduzir Ancelotti, mas quando o italiano resistiu à abordagem inicial, Dorival Junior assumiu o comando por 15 meses até que o Brasil pudesse tirar seu homem do Real Madrid.

Já se passaram 32 anos desde que Ronaldão (esquerda), Romário (centro) e Dunga levaram o Brasil à vitória na última Copa do Mundo em solo americano

Nenhum dos gestores possui um histórico particularmente bom. Ancelotti venceu quatro de oito jogos e empatou com a Tunísia em Novembro, um mês depois de perder para o Japão.

Mas outro bom presságio é que o Brasil teve uma campanha fracassada nas eliminatórias em 1994, quando venceu apenas uma das quatro primeiras eliminatórias e tudo dependia do jogo final contra o Uruguai, no Rio de Janeiro.

A derrota teria eliminado o Brasil, mas Romário marcou duas vezes para garantir uma vitória por 2 a 0 e consolidou seu status de lenda com mais cinco gols na vitória da Copa do Mundo nos Estados Unidos.

A busca por outro salvador chamou a atenção de Neymar, que certamente não incendiou o futebol brasileiro desde que retornou ao seu primeiro clube, o Santos, da Arábia Saudita, no ano passado. Seus 34 anos e sua forma moderada não impediram o clamor por um recall.

Neymar é o maior artilheiro do Brasil com 79 gols em 128 partidas e alguns acreditam que ele pode conjurar magia como Romário em 1994 e Ronaldo em 2002.

Na semana passada, um dos amigos de Neymar, o ator chamado Rafael Zulu, publicou uma carta aberta a Ancelotti nas redes sociais dizendo: ‘Disney sem Mickey não existe, sabia!? Aja em conjunto. Os amantes do futebol concordarão comigo. Romário também se manifestou em apoio a Neymar.

Neymar (à direita) e Vinicius Junior processam eliminação da Copa do Mundo do Catar 2022

Neymar perdeu jogo do Santos contra o Mirassol no início deste mês, quando Ancelotti esteve presente para ver como ele estava

Ancelotti permaneceu impassível. Em cinco convocados, ele ainda não escolheu a ex-estrela do Barcelona. Ele explicou no último anúncio da equipe que o consideraria se estivesse em plena forma, mas Neymar sempre parecia estar lesionado.

Ele perdeu um jogo contra o Mirassol no início deste mês, onde Ancelotti compareceu especificamente para ver como ele estava, tendo recebido o que considerou serem garantias de sua participação. Isso não agradou ao técnico brasileiro nem à Federação Brasileira de Futebol (CBF). Neymar foi titular nos dois jogos seguintes do Santos, mas foi desfalque contra o Cruzeiro no domingo.

Sua ausência foi explicada por Santos como ‘gestão de carga’. Depois veio uma reportagem alegando que Neymar havia passado o dia jogando pôquer online por 16 horas, seguido por uma mensagem de vídeo do jogador para seus 234 milhões de seguidores no Instagram para promover o PokerStars, um de seus patrocinadores. ‘Tive um tempo para fazer o que mais gosto fora do futebol, que é jogar um pouco de pôquer’, disse Neymar.

Isso, mais uma vez, não agradou ao técnico brasileiro nem à CBF, que se envolveu em uma tensa conversa com Neymar após seu aniversário em fevereiro. Depois de deixar claro que estava chateado por não receber os parabéns formais por completar 34 anos, a CBF respondeu dizendo que sua política era parabenizar os ‘campeões mundiais’. Neymar deixou de seguir a CBF no Instagram.

No mesmo dia, a CBF anunciou uma nova parceria com o Uber, o que gerou críticas dos torcedores, e Gil Cebola, um dos amigos mais próximos de Neymar, declarou que agora viajaria com uma empresa rival chamada 99. Houve relatos de que o presidente da CBF, Samir Xaud, havia se aproximado de Neymar enquanto tentava reparar o relacionamento prejudicado, mas não o suficiente para garantir uma vaga no elenco.

Ancelotti, por sua vez, está determinado a impor a sua autoridade à equipa. Seus planos para a Copa do Mundo estão tomando forma, com grande parte de sua equipe para a estreia contra o Marrocos, em 13 de junho, já definida.

O goleiro do Liverpool, Alisson, deve começar atrás de uma zaga composta por Eder Militão do Real Madrid, Marquinhos do Paris Saint-Germain, Gabriel Magalhães do Arsenal e um lateral-esquerdo, provavelmente Douglas Santos do Zenit.

Espera-se que Casemiro, do Manchester United, e Bruno Guimarães, do Newcastle, joguem em um meio-campo de três jogadores. Na frente, Vinicius Junior, do Real Madrid, e Raphinha, do Barcelona, ​​parecem prestes a flanquear Matheus Cunha, do United, que deverá usar a icônica camisa 10 se Neymar não conseguir entrar no elenco.

Rodrygo, do Real, está lesionado gravemente no joelho e, no Brasil, a ideia de Cunha com a camisa agraciada nas Copas do Mundo por Pelé, Zico, Rivaldo, Ronaldinho, Kaká e Neymar é prova de uma safra ruim.

Matheus Cunha, do Manchester United, pode receber a icônica camisa 10 do Brasil de Pelé, Zico e Ronaldinho

Casemiro, do United, provavelmente será a âncora do meio-campo brasileiro – outro sinal de uma equipe funcional, mas não cheia de talento

No entanto, continua a ser uma equipa muito boa, com uma força inquestionável e um sabor de Premier League. João Pedro, Andrey Santos e Estevão Willian do Chelsea e Gabriel Martinelli do Arsenal estão todos na foto.

O assistente de Ancelotti, Paul Clement, pode ser frequentemente visto em missões de reconhecimento. Rayan, o empolgante adolescente contratado pelo Bournemouth em janeiro, e Igor Thiago, atacante central do Brentford com 19 gols, foram convocados pela primeira vez.

Há poucos meses, a convocação de Thiago ainda era uma espécie de piada. Os torcedores o compararam a Afonso Alves ou Grafite, outros apostaram na força dos gols marcados em clubes fora de moda, mas que nunca pareciam em casa com a camisa do Brasil. Agora ele perde apenas para Erling Haaland na tabela de gols da Premier League, e tem Gabriel Jesus, Richarlison e Igor Jesus suando pelas vagas na Copa do Mundo.

‘Poucas seleções têm tanto talento quanto a nossa’, diz Endrick, atacante do Real Madrid emprestado ao Lyon Esporte do Daily Mail. ‘E nenhum tem um treinador mais bem sucedido do que o nosso.

“No Real Madrid, Ancelotti também teve uma espécie de seleção nacional, com jogadores de vários países, e venceu. Ele ganhou títulos da liga e taças em todos os lugares onde esteve. Não será diferente com o Brasil. Ele vai preparar o time para ser campeão. Ele tirará o melhor de cada jogador. É isso que o torna diferente. Ele encontra a melhor maneira de usar cada jogador”.

A capacidade de Ancelotti de absorver a pressão e enfrentar as exigências de todos os ângulos sem se perder é sem dúvida a sua maior habilidade. Ele pode transferi-lo para o cenário global? Ele poderá restaurar a fé do Brasil? Ele pode acabar com essa espera pelo hexa?


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