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A comoção do Sepehi não é apenas um ataque, são fatos históricos

Harianjogja.com, JOGJA—O incidente de Geger Sepehi em 20 de junho de 1812 não foi visto apenas como um ataque militar britânico ao Palácio de Yogyakarta. Os historiadores avaliam que este incidente fez parte de um conflito global desencadeado pelo domínio de Napoleão Bonaparte na Europa.

Quando os holandeses ficaram sob influência francesa, a região de Java também foi atraída para o vórtice do conflito. O governo colonial da época era liderado por Herman Willem Daendels, que implementou políticas duras e militaristas.

O historiador Djoko Marihandono explicou que a política de Daendels de igualar a posição de governador-geral com a do rei de Java gerou sérias tensões com o sultão Hamengkubuwono II.

“A mudança de protocolo feriu a dignidade do palácio e tornou-se o ponto de partida para a resistência antes da entrada dos britânicos em Java”, explicou, domingo (04/05/2026).

Esta tensão foi então explorada por Thomas Stamford Raffles, que não só queria expulsar a influência francesa, mas também enfraquecer o poder do Sultão HB II.

O ataque britânico foi realizado envolvendo tropas cipaios da Índia, reflectindo uma estratégia imperial para reduzir os riscos para as tropas europeias e, ao mesmo tempo, expandir a rede de poder colonial.

O historiador Harto Juwono acredita que a comoção de Sepehi não foi apenas uma derrota militar, mas também uma tragédia cultural que abalou a legitimidade do Palácio de Yogyakarta.

Saques e Trauma Social

Depois que o palácio caiu, ocorreram saques massivos. Referências de Peter Carey mencionam que muitos manuscritos e relíquias de família importantes foram trazidos para a Europa.

Este evento deixou um profundo trauma social, além de conflitos internos em Java, incluindo o envolvimento da Legião Mangkunegaran que apoiou os britânicos.

“Este incidente também envolveu o conflito interno de Java, incluindo o apoio da Legião Mangkunegaran à Inglaterra, que deixou para trás um rancor político de longa data”, disse ele.

Gatilho de Grande Resistência em Java

Especialistas avaliam que a comoção de Sepehi foi um dos gatilhos para o nascimento da Guerra de Java liderada pelo Príncipe Diponegoro. Esta resistência surgiu como uma resposta à humilhação e injustiça colonial.

O representante da raça HB II, Fajar Bagoes Poetranto, afirmou que o Sultão HB II rejeitou consistentemente a dominação colonial, incluindo regulamentos cerimoniais e controle territorial.

“Para o Sultão HB II, submeter-se à administração ocidental é um insulto aos seus antepassados ​​e à terra de Java”, disse ele.

Impacto global para local

Apesar da resistência feroz, o Palácio de Yogyakarta acabou caindo devido à superioridade das armas britânicas. O sultão HB II foi preso e exilado em Penang, marcando o colapso de facto da soberania política do palácio.

Este incidente mostra que os conflitos locais em Yogyakarta não podem ser separados da dinâmica global. Java, no início do século XIX, tornou-se parte da luta pelas grandes potências mundiais.

Para os historiadores, o Sepehi Geger não é apenas um registo do passado, mas uma prova de como o colonialismo funcionou através da força militar, da manipulação política e da destruição de símbolos culturais cujos impactos ainda são sentidos hoje.

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