Abrir Ormuz ‘não é um gesto humanitário’: essencial para manter o sistema alimentar global em funcionamento

No meio da volatilidade geopolítica e da fragilidade económica, François Picard tem o prazer de dar as boas-vindas a John Denton, Secretário-Geral da Câmara de Comércio Internacional. Denton alerta que “o Estreito de Ormuz envolve muito mais do que petróleo e gás”: estamos a caminhar para uma crise de segurança alimentar de proporções globais. Embora as manchetes se concentrem no petróleo e nos conflitos, Denton insiste que “a questão mais aguda neste momento é, na verdade, a deterioração do acesso aos fertilizantes”, um desenvolvimento que ele associa directamente ao “risco cataclísmico” para os sistemas alimentares globais. Igualmente impressionante é a sua reavaliação dos actores geopolíticos. A Síria, outrora devastada pela guerra, instável e isolada, é agora descrita como tendo dado um “contributo extraordinário” para a reconfiguração do comércio global, outrora impensável: “algo em que não teríamos pensado antes”. Esta mudança inesperada sublinha um tema mais amplo: a fluidez da ordem global em tempos de crise. No cerne do argumento de Denton reside um princípio simples mas urgente: “este não é um gesto humanitário, mas sim manter um sistema alimentar em funcionamento”. Por outras palavras, o que está em jogo não poderia ser maior, esta não é apenas uma questão moral, isto afecta todo o sistema: estamos a tocar nos próprios alicerces da estabilidade económica e humana.
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