Opinião | Ascensão da China complica o binário “autoritário” versus “democrático”

Há um desconforto crescente na forma como descrevemos os sistemas políticos hoje. Palavras que antes pareciam claras já não iluminam como deveriam. “Livre”, “democrático”, “liberal” e “autoritário” estão entre os termos mais utilizados no discurso político, mas os seus significados têm-se tornado cada vez mais confusos e contestados.
Isto não é simplesmente uma questão de semântica. Reflete um descompasso mais profundo entre a linguagem que usamos e as realidades que tentamos descrever.
O problema não é novo. Em George Orwell Mil novecentos e oitenta e quatro, publicado em 1949, ele alertou sobre um mundo onde a linguagem política é desprovida de precisão e reaproveitada para moldar a percepção em vez de transmitir a verdade. Embora o discurso actual seja muito mais aberto, essa preocupação é cada vez mais evidente na forma como os rótulos políticos são utilizados – menos como ferramentas analíticas e mais como sinais de aprovação ou desaprovação.
Nesse quadro, o “autoritarismo” tornou-se o seu oposto: um sistema considerado rígido, repressivo e, em última análise, ineficiente. Uma crença amplamente difundida era que tais sistemas, ao restringirem a informação e suprimirem a dissidência, teriam dificuldade em inovar e adaptar-se numa economia global em rápida mudança.




