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Mês de jejum entre espiritualidade e consumismo

O mês de jejum é um mês muito especial para os muçulmanos de todo o mundo. Lua jejum é visto como um mês de laboratório para aumentar os valores espirituais para atingir o nível de devoção a Allah SWT. No mês de jejum, espera-se também que haja um aumento na qualidade da inteligência espiritual que é demonstrada através de diversas atividades de adoração a Allah, desde o jejum para controlar a fome e a sede até a realização de orações tarawih.

Além da inteligência espiritual, o jejum também deve aumentar a inteligência emocional. Através do jejum, as pessoas que jejuam podem sentir o sofrimento das pessoas que não têm o suficiente e têm que suportar a fome mesmo que não estejam jejuando.

Quando o valor do jejum puder ser sentido por aqueles que o praticam, então o coração será movido a ser mais generoso com os outros que são menos capazes.

Assim, o jejum pode ser um reflexo para melhorar a qualidade espiritual e emocional, nomeadamente as relações verticais com Deus e as relações horizontais com os semelhantes.

Contudo, um paradoxo bastante interessante emerge na realidade social moderna de hoje. O mês de jejum, que ensina simplicidade e autocontrole, costuma ser acompanhado por um aumento bastante elevado no consumo.

Durante o mês de jejum, muitos centros comerciais, mercados tradicionais e plataformas de compras online registam um aumento nas transações. Este fenómeno mostra uma mudança de significado das atividades espirituais para um comportamento mais consumista.

O aumento do consumo é o paradoxo mais óbvio. Embora o jejum deva reduzir a quantidade de alimentos consumidos, muitas famílias preparam quantidades excessivas de alimentos ao quebrar o jejum.

Não é incomum que o alimento acabe sendo desperdiçado por não ser consumido. Isto mostra que o valor do autocontrole está muitas vezes em desacordo com o comportamento de consumo excessivo.

O paradoxo do mês de jejum também é visível nos aspectos sociais e espirituais. O mês de jejum deve ser um impulso para aumentar a solidariedade social, como a partilha com os pobres e o fortalecimento das relações humanitárias.

Contudo, na realidade, as disparidades sociais parecem frequentemente cada vez mais claras. Grupos de pessoas com alto poder aquisitivo podem desfrutar de diversos luxos para quebrar o jejum em hotéis, restaurantes e shopping centers, enquanto outras pessoas ainda lutam para atender às suas necessidades básicas.

Este fenómeno paradoxal do mês de jejum não significa que os valores do jejum tenham sido perdidos. Na verdade, essa condição serve como um lembrete de que a essência do jejum precisa continuar a ser refletida.

O jejum não é apenas uma mudança na dieta ou uma tradição anual, mas um processo de construção de caráter que enfatiza a simplicidade, a empatia e o autocontrole.

Para restaurar o valor espiritual do mês de jejum, é necessária a consciência coletiva. Isto pode ser iniciado cultivando a simples quebra do jejum, reduzindo o desperdício de alimentos, aumentando as atividades sociais, como a partilha e a doação de esmolas, e usando o mês de jejum como um impulso para fortalecer os valores humanos.

Afinal, o mês de jejum é um lembrete de que a espiritualidade não se mede apenas pela realização do culto, mas também pela forma como esses valores são aplicados no dia a dia. Se os valores da simplicidade, preocupação social e autocontrole puderem ser realizados na realidade, então o mês de jejum se tornará mais uma vez um mês espiritualmente sagrado e ao mesmo tempo capaz de trazer mudanças sociais positivas através de um relacionamento vertical com Allah e um relacionamento horizontal com outros seres humanos.

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