O projeto PLTS de 100 GW corre o risco de se tornar uma barraca de produtos chineses, esse é o motivo

Harianjogja.com, BANTUL— A ambição de construir uma Central Solar (PLTS) com capacidade de 100 gigawatts na Indonésia é considerada um grande risco se não for acompanhada pelo fortalecimento da indústria nacional. Teme-se que este projecto de energia limpa em grande escala abra oportunidades para o domínio de produtos importados, especialmente da China.
Este aviso foi transmitido por um especialista em economia energética da Universidade Yogyakarta Muhammadiyah, Dessy Rachmawatie. Ele acredita que sem um sistema maduro, o aumento da capacidade de PLTS apenas resultará num aumento nas importações de tecnologia, sem proporcionar um valor acrescentado significativo à economia nacional.
“Se isso falhar, só nos tornaremos um mercado para a China exportar a tecnologia que desenvolveu”, disse ele, segunda-feira (04/06/2026).
Dessy destacou o domínio global da indústria de painéis solares, que atualmente ainda é dominada por produtos provenientes da China. Esta condição tem o potencial de aumentar a dependência da Indonésia se as políticas locais de protecção industrial e a transferência de tecnologia não forem reforçadas desde o início.
Ele comparou a abordagem da Indonésia com a estratégia da China no desenvolvimento de novas energias renováveis. Segundo ele, a China deve primeiro construir bases industriais, incentivar a inovação e preparar financiamento a longo prazo antes de estabelecer grandes metas.
“Como resultado, eles agora dominam o mercado global de tecnologia solar. A Indonésia corre o risco de fazer o oposto, estabelecendo primeiro metas sem preparação do sistema”, explicou.
Por outro lado, o projecto PLTS de 100 GW ainda tem um grande potencial para incentivar o crescimento económico, especialmente em áreas remotas. Se for gerido de forma otimizada, o desenvolvimento da energia solar pode criar novos empregos e expandir o acesso à eletricidade em áreas ainda não cobertas pela rede PLN.
Dessy deu um exemplo dos resultados da sua investigação na aldeia de Kubu, Karangasem, Bali, que só teve acesso adequado à electricidade em 2016. Segundo ela, a construção de PLTS poderia ser uma solução para a distribuição de energia se acompanhada pelas políticas certas.
“O potencial é enorme, mas é preciso garantir que os benefícios sejam verdadeiramente sentidos pela comunidade e não apenas aumentando a capacidade”, sublinhou.
Num contexto global caracterizado pela incerteza geopolítica, este projecto de energia limpa é considerado um impulso importante para fortalecer a segurança energética nacional. No entanto, Dessy lembrou ao governo que não deve concentrar-se apenas nos números-alvo, mas também na preparação das infra-estruturas, no financiamento e no envolvimento da indústria local.
“Isto pode ser um grande avanço, mas os riscos também são elevados se não for seguida uma preparação minuciosa”, concluiu.
Confira outras notícias e artigos em Jogja diárioe nossa versão eletrônica da edição impressa está disponível em Jogja Daily Epaper.




