Coreia do Sul: A esquecida revolta e massacre de Jeju – Revisitada

Há quase 80 anos, uma repressão brutal na ilha de Jeju, no sul da Coreia, ceifou dezenas de milhares de vidas. No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a península coreana foi arrastada para a Guerra Fria e dividida em duas: um regime apoiado pelos soviéticos no Norte e um governo nacionalista apoiado pelos EUA no Sul. Em Jeju, alguns residentes resistiram a esta divisão e o governo sul-coreano rapidamente classificou a ilha como um reduto comunista.
O Massacre
Em 1948, o governo sul-coreano impôs lei marcial em Jeju, dando amplos poderes aos militares. O exército rapidamente começou a caçar e matar residentes, incluindo recém-nascidos, acusados de serem “vermelhos” – comunistas. Os sobreviventes estimam que entre 25.000 e 30.000 civis foram mortos, quase 10% da população da ilha. Muitos procuraram refúgio em cavernas e florestas vulcânicas para sobreviver.
A repressão continuou por seis anos. A lei marcial foi revogada em 1954, pondo fim às prisões e execuções em massa, mas os sobreviventes viviam com medo e silêncio. Aqueles que falaram sobre o massacre corriam o risco de marginalização, de perda de emprego ou de habitação, e eram muitas vezes forçados a manter as suas experiências em segredo, até mesmo da família.
Reconhecimento e Memória
Após anos de campanha por parte de vítimas e investigadores, o governo sul-coreano reconheceu oficialmente o massacre de Jeju no início dos anos 2000 e emitiu um pedido público de desculpas. Muitas questões permanecem, incluindo o papel das forças dos EUA estacionadas na península na altura. No ano passado, mais de 14 mil documentos relacionados com a repressão de Jeju foram adicionados ao registo da Memória do Mundo da UNESCO – um reconhecimento simbólico para as famílias das vítimas e activistas da memória, que esperam que a tragédia há muito reprimida seja finalmente reconhecida em todo o mundo.




