Falta de ‘moral, valores ou princípios’: governo da Geórgia ‘guiado pelo Kremlin’ – Spotlight

François Picard tem o prazer de dar as boas-vindas a Tina Khidasheli, Jurista e ex-Ministra da Defesa da Geórgia. Segundo Khidasheli, a Geórgia está suspensa entre o seu declarado futuro europeu e um presente cada vez mais autoritário. Embora detenha formalmente o estatuto de candidato à adesão à União Europeia, a realidade política mudou para o controlo sistémico, a ambiguidade jurídica e a supressão da dissidência. Os instrumentos jurídicos, especialmente a lei dos agentes estrangeiros, destinam-se não apenas a regular, mas também a dissuadir, criando um ambiente onde a actividade profissional ou cívica comum corre o risco de ser criminalizada.
O resultado é um efeito inibidor que se estende à sociedade civil, aos meios de comunicação social e até mesmo ao envolvimento internacional rotineiro. A nível estratégico, a tomada de decisões já não está ancorada no interesse nacional como tradicionalmente concebido, mas sim calibrada em função das expectativas do poder externo, mais notavelmente as de Moscovo.
Esta reorientação não reflecte convicção ideológica, explica Khidasheli, mas sim sobrevivência política. A governação é menos impulsionada por valores do que pelo imperativo de manter o poder, preservar a riqueza e evitar a responsabilização. Simultaneamente, as preocupações de segurança são abordadas de forma seletiva. Embora surjam sinais visíveis de radicalização e influência ideológica estrangeira, a atenção institucional é redireccionada para aqueles que dão alarmes e não para os fenómenos em si.
Esta inversão de prioridades sublinha um padrão mais amplo: os mecanismos do Estado são cada vez mais utilizados para reprimir a dissidência em vez de salvaguardar a sociedade. O efeito cumulativo é uma fragmentação da coesão social.




