O Irã acredita que tem as cartas na mão em meio à “disfunção e caos na tomada de decisões de segurança nacional dos EUA” – Spotlight

François Picard tem o prazer de dar as boas-vindas a Aaron David Miller, antigo negociador do Departamento de Estado para o Médio Oriente e membro sénior do Carnegie Endowment for International Peace. Miller passou décadas a trabalhar na diplomacia e não vê aqui uma estratégia coerente, apenas improvisação moldada pela pressão, personalidade e alavancagem mutável. As negociações em torno do Irão, de Israel e do Líbano não são impulsionadas pela confiança ou por uma visão partilhada de resolução, mas por necessidade táctica e percepções assimétricas de vantagem.
De acordo com Miller, os Estados Unidos procuram uma saída de um conflito em que escolheram entrar, enquanto o Irão se considera estrategicamente ascendente e, portanto, não tem pressa em chegar a um acordo, apesar dos danos generalizados causados por ataques aéreos implacáveis. A arquitectura diplomática que está a ser montada, através de intermediários, enviados informais e mandatos pouco claros, reflecte não a força, mas sim a fragmentação nos processos de tomada de decisão. O progresso não emergirá, argumenta Miller, de gestos simbólicos ou canais improvisados, mas de uma negociação directa e disciplinada, baseada numa compreensão da história, da geografia e dos interesses legítimos de todos os actores envolvidos.




