Trégua EUA-Irã: ‘Conversas delicadas nos bastidores’ abriram caminho para o cessar-fogo mediado pelo Paquistão – Spotlight

François Picard tem o prazer de dar as boas-vindas a Mumtaz Zahra Baloch, Embaixadora do Paquistão em França e Delegada Permanente na UNESCO. Segundo a Embaixadora Zahra Baloch, trata-se menos de vitória no sentido convencional e mais de sobrevivência e recalibração do poder. O que estamos a testemunhar não é o fim de uma guerra, mas a emergência de narrativas concorrentes que cada lado deve sustentar para obter legitimidade política: ambos os lados reivindicam sucesso, mas nenhum deles conseguiu verdadeiramente qualquer aparência de vitória.
Ela argumentaria que o limiar de sucesso do Irão era fundamentalmente diferente do dos Estados Unidos ou de Israel. Enquanto Washington enquadra o resultado como um triunfo militar decisivo, Teerão interpreta a mera sobrevivência do regime face à força esmagadora como uma vitória estratégica. Ao mesmo tempo, abaixo da superfície, a arquitectura interna do Estado iraniano mudou. O poder consolidou-se ainda mais dentro dos Guardas Revolucionários, alterando o equilíbrio de autoridade sem transformar fundamentalmente o próprio regime. O cessar-fogo, portanto, não deve ser confundido com estabilidade. É uma pausa frágil, repleta de tensões não resolvidas, interpretações contestadas e complicações regionais que poderiam facilmente reacender o conflito.




