Opinião | Por que o alerta da China sobre blocos militares está encontrando ouvintes na Ásia

A resposta de Pequim captou o argumento mais amplo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse que a região precisa de paz, e não de divisão e confronto alimentados pelo aumento militar externo. Nas capitais ocidentais, tal linguagem é tratada como retórica familiar. Em toda a Ásia, a situação é diferente, porque a preocupação por trás dela é familiar.
Esse é o medo silencioso por detrás de grande parte da cobertura da Ásia. A região não vive apenas de uma grande estratégia. Vive dos portos, das rotas marítimas, dos fluxos de investimento, dos preços da energia, das encomendas às fábricas e da política interna. Uma patrulha no mar pode se tornar uma questão de seguro. Um exercício militar pode tornar-se um sinal de mercado. Uma crise num canal pode atingir as prateleiras dos supermercados, as contas dos combustíveis e os debates eleitorais.
Para as potências médias e os Estados mais pequenos, a estratégia consiste em preservar opções. Um governo pode receber bem o apoio americano como garantia e ainda assim preferir evitar tornar-se parte de uma estrutura que exige lealdade pública em todas as disputas. Pode expandir os laços de defesa com Washington e ainda querer um comércio estável com a China. Pode falar a linguagem das regras ao mesmo tempo que resiste a uma ordem regional que transforma cada questão difícil num teste à disciplina do campo.




