Lucija Stojević, Susana Casares e Romina Marti O’Toole se preparam para Annecy

Seis diretoras de animação emergentes na Espanha, algumas com uma carreira considerável no cinema, como a vencedora do IDFA Audience Award Lucija Stojević (“La Chana”), apresentarão seus últimos projetos em Annecy, 25 de junho, em Mulheres na Animação da Espanha.
Os títulos dizem muito sobre o estado da animação – na Espanha e além.
Três dos cinco títulos são produções catalãs à medida que a Catalunha se constrói como um emocionante centro europeu de animação.
As obras dividem o rumo de toda a indústria internacional de animação, dividida entre propriedade intelectual comercial e trabalho criativo dirigido por autores, pelo menos na forma como são concebidas por seus criadores.
(Um ponto ideal de cruzamento entre as duas tendências é, obviamente, o IP original. “Acreditamos que ‘Night Forest’ tem um forte potencial além da tela, pois é concebido como um IP transmídia que pode crescer por meio da construção de comunidades, publicações, mercadorias, eventos e experiências digitais”, diz a diretora Natasha Barreto)
Acima de tudo, os cinco títulos tratam de algo, seja poder (o atraente e mordaz “Who Killed Cock Robin”), discriminação (“A Dangerous Journey”), diferença (“Night Forest”), maternidade (“The Journey”) e diáspora rural (“A la fresca”). “Este filme não é apenas a história de Lola; é a história de inúmeras aldeias que lentamente caem no silêncio e das pessoas que se recusam a desaparecer com elas”, diz a diretora e produtora Sandra Morán.
Uma olhada mais de perto nos títulos:
“Uma jornada perigosa”
Diretores: Lucija Stojević, Carla Melo, Iulia Voitova, Laura Ginès
Produtores: Noon Films (Espanha), Avec ou Sans Vous (França)
O primeiro de dois projetos em Annecy este ano da Noon Films de Barcelona, que produziu o curta “Lost at Sea” dos Médicos Sem Fronteiras, visto em Annecy em 2023. Este projeto transmídia retrata três crianças classificadas como “indesejáveis”, internadas no campo de concentração de Rivesaltes, na França, durante a Segunda Guerra Mundial. Co-dirigido pelo colombiano Melo “(“La Perra”), pela ucraniana Voitova (“Longue Distance”) e pelo animador experimental Ginès (“Salvaxe, Salvaxe”).
“A la Fresca” (“Sentar”)
Diretora: Sandra Morán
Produtora: Sandra Morán
Lola, na casa dos 80 anos, morando sozinha em uma vila, convoca seus amigos falecidos toda lua cheia para lidar com a solidão, até que as mudanças presentes comecem a transformar seu mundo. À medida que os lugares mudam, o vínculo entre eles enfraquece e se rompe, forçando Lola a enfrentar a mudança. Uma história retratada em animação digital 2D despretensiosa desenhada à mão, sobre “como a solidão pode se transformar em companheirismo, humor e um desejo renovado pela vida”, diz Morán.
“A Jornada,” (A viagem)
Diretor: Susana CasaresJúlia Francino
Produtores: Desarrollos Mediaticos Internacionales (WKND), Dos Soles Media (Espanha); Nu Boyana (Portugal)
Após um período dedicado à maternidade, Agus parte para uma tão desejada viagem ao Japão com a querida amiga Loly. “Mas medos enterrados e um segredo oculto ameaçam a jornada, transformando uma aventura exótica em um acerto de contas sincero, facilitado pelo humor, pela amizade e pelo autoperdão”, diz a sinopse. A proposta 2D baseada na história em quadrinhos de Agustina Guerrero é “uma narrativa calorosa e envolvente, abordando assuntos complexos como escolha reprodutiva, sonhos não realizados de maternidade e a incerteza existencial que surge quando a vida diverge de nossas expectativas”, dizem Casares e Francino.
“Floresta Noturna”
Direção: Natasha Barreto
Produtores: LaMola Studio (Espanha), Piragna Animation (Colômbia), Artyc Content (Espanha)
Na lendária Floresta Noturna, Kai, uma raposa-veado solitária, Aspen, um axolote curandeiro, e Onyx, um guerreiro panda vermelho, devem impedir que uma energia negra consuma seu mundo, sem saber que ela vem do próprio Kai. Quebrar o ciclo ou repetir a história dele? Uma fantástica série animada em 2D, misturando recorte e estilo tradicional, sobre identidade e aceitação. A série fala a uma geração que questiona sua identidade e busca pertencimento. Queremos criar um mundo onde ser diferente não seja algo a esconder, mas algo a abraçar”, diz Barreto Variedade.
“Quem matou o galo Robin”
Diretor: Romina Marti O’Toole
Produtores: Frog Animation e Alhena Production
Cock Robin é encontrado morto enforcado na varanda de sua casa de campo. “Quem matou Cock Robin?” os aldeões perguntam em estado de choque. “Eu”, Sparrow responde calmamente. À medida que o funeral se desenrola, no entanto, os segredos obscuros da aldeia emergem lentamente. Da Frog, criada em 2023 por Montse Capón, Mireia Hernández e Xavi Carmona, e o veterano Norbert Llamas em Alhena (“The Coffee Table”). Um retrato potencialmente perspicaz da dinâmica do poder. “Mesmo quando a face visível do poder desaparece, o sistema que o criou sempre encontrará um substituto, permitindo que o ciclo continue”, diz Marti O’Toole Variedade.
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