O sorgo não é mais marginalizado e agora é um açúcar valioso

Harianjogja.com, JACARTA—O desenvolvimento da tecnologia de processamento de açúcar e formigas à base de sorgo está a começar a mostrar um novo potencial para as pequenas empresas, especialmente no aumento do valor acrescentado dos produtos alimentares locais. Esta inovação proporciona um processo de produção mais eficiente e higiénico em comparação com os métodos tradicionais.
Essa tecnologia foi desenvolvida pela Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (BRIN) com um sistema integrado de equipamentos, desde a prensagem do caule do sorgo até a produção de açúcar formiga pronto para embalagem. A capacidade chega a cerca de 30 litros de seiva por processo, por isso é considerada adequada para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e também para grupos de agricultores da região.
Sandi Darniadi, pesquisadora especialista associada do Centro de Pesquisa de Tecnologia de Fabricação de Equipamentos BRIN, explicou que o sorgo foi escolhido devido à sua flexibilidade de uso. Essa planta ainda pertence à mesma família da cana-de-açúcar, mas pode ser utilizada não só para açúcar, mas também para bioetanol e ração animal.
“O sorgo é da mesma família da cana-de-açúcar, mas seu uso é mais flexível. Além do açúcar, também pode ser usado para bioetanol e ração. Todas as partes da planta podem ser utilizadas”, disse Sandi em Jacarta, segunda-feira.
Em termos de produção, cerca de 100 quilos de talos de sorgo podem produzir até 20 litros de seiva, dependendo das condições da planta e do ambiente. O teor de açúcar no sorgo é inferior ao da cana-de-açúcar, nomeadamente cerca de 11-15 por cento, mas ainda é promissor como matéria-prima alternativa ao açúcar, especialmente para os pequenos agricultores.
O processo de processamento começa com uma prensa de rolos para extrair a seiva. Em seguida, a seiva é processada por dois métodos, nomeadamente um evaporador a vácuo e um fogão aberto. O método do evaporador a vácuo funciona em sistema fechado a uma temperatura em torno de 60-70 graus Celsius para produzir açúcar líquido ou xarope de sorgo.
Enquanto isso, uma panela aberta é usada para produzir açúcar de formiga. Este processo ocorre a uma temperatura mais elevada, em torno de 90-100 graus Celsius, com um tempo de cozimento mais longo até que o teor de água caia para cerca de 5-6 por cento e se formem cristais de açúcar.
“Para produzir açúcar de formiga a partir de 15 litros de seiva são necessárias cerca de 3 a 5 horas, dependendo do teor inicial de açúcar”, disse Sandi.
Após o cozimento, o açúcar ainda grumoso é novamente seco em forno desidratador para que o teor de água diminua. A etapa final é realizada por meio de uma trituradora para a produção de grânulos de açúcar formiga, prontos para serem embalados e comercializados.
Em termos de eficiência, esta tecnologia utiliza o gás como fonte de calor, diferente dos métodos tradicionais que ainda dependem da lenha. O uso do gás é considerado mais eficiente energeticamente e mais fácil de controlar no processo produtivo.
Além disso, todos os equipamentos são fabricados em aço inoxidável de qualidade alimentar, tornando-os mais higiênicos e atendendo às normas de segurança alimentar. O design da ferramenta também é modular e fácil de mover, apoiando assim o uso em diversas áreas de produção.
Embora a tecnologia de processamento esteja disponível, o principal desafio ainda reside no sector a montante, nomeadamente a sustentabilidade do cultivo do sorgo. Considera-se que o interesse dos agricultores ainda depende de factores económicos, especialmente comparações de preços com outros produtos como o milho e o arroz.
Sandi espera que esta inovação possa estimular o aumento do interesse dos agricultores pelo sorgo, para que se forme uma cadeia produtiva sustentável de montante a jusante.
“Se as matérias-primas estiverem disponíveis e a indústria estiver em funcionamento, então a cadeia de valor do sorgo poderá desenvolver-se”, disse Sandi Darniadi.
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Fonte: Entre




