Principais candidatos da ONU prometem reformas para restaurar a confiança e reavivar o papel global

Os candidatos para se tornar o próximo chefe das Nações Unidas prometeram na quarta-feira revitalizar a problemática organização através da prossecução de reformas, ao mesmo tempo que defendem os seus princípios fundamentais de pacificação e apoio ao desenvolvimento.
Quatro candidatos estão competindo para ter sucesso António Guterres como E secretário-geral desde o início do próximo ano, com o vencedor definido para enfrentar a enorme tarefa de revitalizar uma organização em crise, cuja estatura diminuiu significativamente nos últimos anos.
Em maratona Nas audiências perante representantes dos estados membros da ONU e da sociedade civil na terça e quarta-feira, todos os candidatos se comprometeram a continuar as reformas da organização de 80 anos criada no final da Segunda Guerra Mundial.
PRESSÃO PARA REFORMAR
Mesmo que as ações das grandes potências tenham colocado sob pressão as normas de longa data da ordem internacional do pós-guerra, a organização de 193 membros tem estado sob intensa pressão para reduzir custos e provar a sua relevância.
Na quarta-feira, a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, disse que a paz seria a sua primeira prioridade, ao mesmo tempo que alertava que a confiança no organismo mundial está a diminuir e que o tempo para restaurá-la está a esgotar-se.
Grynspan, um economista nascido de pais que fugiram Europa após a Segunda Guerra Mundial e o atual chefe da Conferência das Nações Unidas sobre Troca e Desenvolvimento, disse que a reforma era vital.
“Defender as Nações Unidas hoje é ter a coragem de mudá-la”, disse ela.
Macky Sall64 anos, que serviu por 12 anos como SenegalPresidente do país até 2024, disse numa audiência na quarta-feira que iria prosseguir as reformas com “gestão rigorosa” para garantir uma melhor coordenação entre as agências da ONU e evitar duplicações.
“Agora é o momento de fazer melhor com menos”, disse ele, com o objetivo de criar “uma organização revitalizada que seja capaz de ver que os seus dias mais brilhantes estão à sua frente”.
Os candidatos concorrem para um mandato de cinco anos, prorrogável por mais cinco.
MENOS CANDIDATOS
Até agora há muito menos candidatos do que em 2016, quando Guterres foi escolhido entre 13 candidatos, mas outros ainda poderão aderir nos próximos meses.
Grynspan, 70, e Chileex-presidente, Michelle Bachelet74 anos, pretendem se tornar a primeira mulher a chefiar a ONU em seus 80 anos história.
A tradição tem ditado que o papel seja alternado entre as regiões, com América latina o próximo na fila, embora Sall tenha dito aos repórteres que não havia nenhuma referência na carta da ONU a tal rotação.
Na sua audiência de terça-feira, Bachelet sublinhou o seu apoio à direitos das mulheres. Alguns legisladores conservadores dos EUA pediram que Washington vetasse a sua candidatura devido ao seu apoio à aborto.
Também está em disputa ArgentinaRafael Grossi, um diplomata de carreira de 65 anos que chefiou o órgão de vigilância nuclear da ONU durante seis anos.
Grossi disse na audiência que a reforma da ONU estava indo na direção certa, mas era apenas um começo.
O precedente afirma que um secretário-geral não deve provir de entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Grã-Bretanha, China, FrançaRússia e Estados Unidos – para evitar uma concentração excessiva de poder, embora o apoio das grandes potências seja crucial num processo de selecção longo e misterioso.
(FRANÇA 24 com Reuters)




