Corrida por terras raras nas fronteiras de Mianmar alimenta temores de poluição

Mianmar está entre os três principais países produtores de terras raras e outros minerais críticos utilizados para fabricar ímanes e outros componentes que alimentam produtos que vão desde smartphones a veículos eléctricos, sendo a maior parte da sua produção exportada para a vizinha China, onde é refinada.
Terras raras e metais como estanho, cobre e tungstênio estão enterrados em colinas remotas do estado de Shan, uma área onde o controle está dividido entre a junta de Mianmar, poderosos grupos étnicos armados e senhores da guerra que dominam o chamado Triângulo Dourado, onde as fronteiras do país são compartilhadas com a China, o Laos e a Tailândia.
Um relatório do Stimson Centre, um think tank dos EUA, divulgado no ano passado, concluiu que 75 minas apareceram em Mianmar e no Laos entre 2015 e 2025, principalmente para mineração de terras raras, que muitas vezes cria grandes volumes de resíduos tóxicos.
Acredita-se que essas minas utilizem a “lixiviação in-situ”, um processo que bombeia produtos químicos para o solo para dissolver minerais para extração, exigindo menos escavação, mas criando um escoamento tóxico que polui os cursos de água com metais pesados.
Grupos ambientalistas em Mianmar e na Tailândia afirmam que nos últimos dois anos assistimos a um aumento da poluição tóxica perto das cabeceiras do rio Salween, em Mianmar, que corre a jusante até ao rio Sai e ao rio Kok, na Tailândia.



