Saúde

Ozempic mudou o tratamento da obesidade, mas especialistas dizem que a verdadeira revolução vem a seguir

A popularidade dos medicamentos GLP-1, como a semaglutida (Ozempic, Wegovy e Rybelsus) e a tirzepatida (Mounjaro e Zepbound), remodelou dramaticamente a forma como a obesidade é tratada. No entanto, os especialistas dizem que estes medicamentos são apenas uma peça do puzzle quando se trata de gerir uma das condições crónicas de saúde mais difundidas nos Estados Unidos.

Um novo comentário na revista da American Gastroenterological Association Gastroenterologia revisita a influente estrutura POWER (Guia prático sobre obesidade e controle de peso, educação e recursos), originalmente introduzida em 2017. Intitulada “Revisitando o POWER na era GLP-1”, a atualização reflete os principais desenvolvimentos no tratamento da obesidade, desde a chegada de medicamentos altamente eficazes para perda de peso até os avanços nas terapias endoscópicas, o uso mais amplo da cirurgia bariátrica e o papel crescente da medicina de precisão.

O tratamento da obesidade está se expandindo além da medicação

Segundo os autores, os agonistas do receptor GLP-1 mudaram significativamente o cenário do tratamento da obesidade. Ao mesmo tempo, enfatizam que os cuidados com a obesidade estão se tornando cada vez mais abrangentes, combinando medicamentos com procedimentos endoscópicos e opções cirúrgicas quando apropriado.

A estrutura atualizada também incorpora o conceito emergente de obesidade clínica. Esta abordagem reconhece a obesidade como uma doença crónica que afecta múltiplos sistemas do corpo e destaca as limitações de confiar apenas no índice de massa corporal (IMC) para avaliar os riscos para a saúde.

Os investigadores observam que o tratamento da obesidade caminha cada vez mais para um modelo multidisciplinar que reúne diferentes abordagens terapêuticas. Em vez de encarar os medicamentos, os procedimentos e a cirurgia como estratégias separadas, os especialistas vêem-nos como ferramentas complementares que podem ser adaptadas a pacientes individuais.

Novas evidências apoiam terapias endoscópicas

O comentário destaca evidências crescentes de terapias endoscópicas bariátricas e metabólicas, incluindo gastroplastia endoscópica vertical, como opções de tratamento eficazes para a obesidade.

Os autores também apontam para avanços na genética e na medicina de precisão que poderiam ajudar os médicos a identificar quais tratamentos têm maior probabilidade de beneficiar pacientes específicos. À medida que os investigadores aprendem mais sobre os factores biológicos que influenciam a obesidade, os planos de tratamento podem tornar-se cada vez mais personalizados.

Outra área promissora envolve a combinação de terapias. As evidências sugerem que a combinação de medicamentos GLP-1 com procedimentos endoscópicos ou cirurgia bariátrica pode levar a uma maior perda de peso e resultados mais duradouros do que qualquer uma das abordagens isoladamente.

O papel dos gastroenterologistas no tratamento da obesidade

O artigo também ressalta o importante papel que os gastroenterologistas e hepatologistas desempenham no tratamento da obesidade e das complicações de saúde relacionadas.

Esses especialistas frequentemente cuidam de pacientes com condições associadas à obesidade, incluindo doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), doença da vesícula biliar e uma série de complicações gastrointestinais ligadas à obesidade. Devido a este envolvimento próximo, os autores argumentam que os gastroenterologistas e hepatologistas estão bem posicionados para ajudar a orientar o futuro do tratamento da obesidade à medida que as opções de tratamento continuam a evoluir.


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