Divorciado da realidade? A reforma da guarda conjunta no Japão divide os pais

Até ao mês passado, a lei japonesa exigia que um dos progenitores detivesse a custódia exclusiva dos filhos após o divórcio, deixando a outra parte dependente da boa vontade informal ou da visitação incentivada pelo tribunal para manter uma relação com o seu filho.
Para Watanabe, 54 anos, o resultado foi um sistema aparentemente concebido para excluí-lo, onde um dos progenitores poderia desaparecer completamente da vida de uma criança – não através de qualquer decisão judicial, mas através da simples recusa em cooperar.
Esse sistema mudou agora, pelo menos no papel. No dia 1 de Abril, o Japão reviu o seu Código Civil para permitir que os pais partilhem a custódia após o divórcio: uma mudança apoiada pela maioria do público e bem recebida pelos pais que acreditam que as crianças beneficiam da presença contínua das suas mães e pais nas suas vidas.
Uma sondagem publicada pelo jornal Mainichi em 22 de Abril revelou que apenas 10 por cento dos inquiridos se opunham às mudanças, com 53 por cento a favor.
Mas Watanabe não está entre eles. “Esta reforma legal não proporciona absolutamente nenhum benefício aos casais em alto conflito e não considera de forma alguma os melhores interesses da criança”, disse ele.




