Opinião | Acabou o tempo das ilusões dos EUA sobre a desnuclearização da Coreia do Norte

A recente visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Pyongyang poderá, em última análise, ser recordada como um ponto de viragem no debate internacional sobre as armas nucleares da Coreia do Norte.
Durante anos, a China e a Rússia juntaram-se aos Estados Unidos no apoio oficial a uma península coreana desnuclearizada, embora o seu compromisso tenha variado consideravelmente na prática. Hoje, no entanto, Moscovo aceitou efectivamente o estatuto nuclear de Pyongyang, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, a chamar a desnuclearização da Coreia do Norte uma “questão encerrada” em Setembro de 2024.
Com a viagem de Xi, a China parece estar a mover-se silenciosamente numa direcção semelhante. Isto deixa Washington cada vez mais isolado na sua insistência de que a Coreia do Norte ainda pode ser persuadida a entregar as suas armas nucleares.
O Presidente Donald Trump deveria reconhecer o que grande parte da região já compreende: a desnuclearização já não é um objectivo político realista, pelo menos não a curto ou médio prazo. Continuar a persegui-lo como a peça central da sua política para a Coreia do Norte corre o risco de deixar Washington preso num impasse diplomático que provavelmente levará a maiores tensões militares na península e reduzirá ainda mais a influência de Washington sobre Pyongyang.



