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Opinião | Graças a Trump, o povo chinês tem uma visão mais realista da América

Durante grande parte da era das reformas, os Estados Unidos ocuparam um lugar especial na imaginação chinesa. Quando eu era criança, na China, na década de 1980, os EUA – ou Meiguoo “belo país” – era mais do que um país. Foi uma ideia.

Muitos chineses, inclusive eu, associaram-no à prosperidade, liberdade, inovação científica e uma democracia funcional. Mesmo aqueles que discordavam da política externa americana admiravam muitas vezes as suas instituições e o seu poder.
Essa admiração sobreviveu a muitos choques: a Atentado à bomba na embaixada de Belgradoa Guerra do Iraque, a crise financeira global e anos de rivalidade estratégica. Depois veio o presidente dos EUA, Donald Trump.

O cepticismo chinês em relação aos EUA não começou com Trump, mas a sua presidência acelerou uma profunda reavaliação da América e do que ela representava.

Quando Trump surgiu pela primeira vez na cena política, as reações na China foram mistas. Alguns o acolheram como um empresário pragmático que parecia menos preocupado com os direitos humanos e, portanto, mais fácil para Pequim lidar com. Outros o acharam divertido, considerando seu estilo não convencional um contraste refrescante com a linguagem escrita dos políticos convencionais.
Muitos chineses instruídos, porém, lutaram para levá-lo a sério. Dele insultosas teorias da conspiração e o estilo teatral pareciam incompatíveis com a imagem que tinham da política americana. Afinal, os EUA deveriam ser a democracia mais madura do mundo. Alguns presumiram que as instituições americanas iriam restringi-lo. Outros acreditavam que os eleitores o rejeitariam rapidamente.

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