Poderá Hong Kong lucrar com o ecoturismo sem destruir os seus tesouros naturais?

Um mar de 500 tendas cobriu as areias brancas do remoto Ham Tin Wan, em Sai Kung, durante um feriado recente, transformando uma das praias mais belas de Hong Kong em um acampamento improvisado para multidões de visitantes durante a noite.
Alguns dos campistas juntaram-se a excursões da China continental para o feriado da “semana dourada” do Dia do Trabalho, dormindo em filas de tendas idênticas e reunindo-se em torno de mesas de campismo para jantares quentes, com ingredientes transportados através da fronteira pelos seus guias.
Pela manhã, a pia do único banheiro público da praia estava entupida com restos de comida das pessoas que lavavam a louça. Algumas barracas ficaram de pé para o próximo grupo de turistas que chegasse naquela tarde.
Um guia turístico do continente, formado em ciência da computação na casa dos vinte anos e cujo sobrenome era Shu, admitiu que estava trabalhando ilegalmente em Hong Kong com visto de turista.
Seus quatro clientes pagaram cada um 888 yuans (US$ 131) por uma viagem de acampamento de dois dias, mas a maior parte do dinheiro não foi para ele, disse ele, recusando-se a revelar quanto ganhou.
Estas cenas sublinham uma questão fundamental para Hong Kong, à medida que tenta reposicionar-se como um destino para visitantes que procuram experiências além dos centros comerciais e dos bens de luxo: poderá a cidade transformar as suas praias, ilhas, aldeias e parques rurais em activos económicos sem permitir que o “ecoturismo” se torne outra forma de turismo de massa?
A resposta, de acordo com especialistas, conservacionistas e operadores, depende de as autoridades conseguirem passar da simples promoção de locais pitorescos para a gestão ativa dos fluxos de visitantes, a aplicação de regras, o apoio às comunidades locais e a garantia de que o turismo baseado na natureza gera valor económico suficiente para financiar a conservação.



