Papa na Guiné Equatorial: O papel da autoridade moral corre o risco de ser “branqueado e usado para legitimar o poder” – Spotlight

François Picard tem o prazer de dar as boas-vindas a Tutu Alicante, advogado internacional de direitos humanos e defensor da luta contra a corrupção. Segundo Alicante, a visita do Papa à Guiné Equatorial apresenta um paradoxo: oferece uma rara oportunidade para destacar a injustiça, mas corre o risco de ser apropriada pelo regime para a sua própria validação. Poderia a “autoridade moral global” inadvertidamente dar crédito ao regime autoritário? Os recursos da Guiné Equatorial não conseguiram elevar a sociedade e traduzir-se em dignidade humana. A governação continua a ser definida pela exclusão, pela repressão e pela erosão da responsabilização.
A questão principal não é o simbolismo da visita, mas se esta catalisa mudanças significativas, se amplifica o apelo à justiça, à transparência e aos direitos humanos, ou apenas reforça o status quo. Em última análise, ele argumenta que a responsabilidade cabe não apenas aos actores globais como o Vaticano, mas também aos meios de comunicação social, à sociedade civil e aos cidadãos, para garantir que a mensagem da reforma prevaleça sobre o espectáculo do poder. Ele destaca “não é sempre que você tem um papa que pode vir ao seu país e falar na sua língua” e faz referência a Nelson Mandela: “Quando alguém fala com você em uma língua estrangeira, isso fala à sua cabeça.




