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Sinal: Depois da escuridão vem a luz para as MPMEs indonésias

JACARTA-O optimismo que flui entre as MPME indonésias em relação a 2026 parece não ser apenas uma euforia momentânea, mas um reflexo da longa jornada de adaptação nos últimos anos.

Quando 86 por cento das pequenas empresas manifestam confiança no crescimento, este número não é apenas uma estatística impressionante, mas também um marcador de mudança de mentalidade.

Depois de passar por diversas pressões globais e nacionais, esta confiança mostra que as pequenas empresas já não estão apenas a sobreviver, mas estão a começar a posicionar-se como motores de crescimento numa economia cada vez mais madura.

As conclusões da 17ª Pesquisa de Pequenas Empresas da Ásia-Pacífico da CPA Austrália fornecem uma imagem bastante abrangente da situação. O inquérito, que envolveu 4.166 pequenas empresas em 11 mercados, observou que o optimismo na Indonésia excedeu mesmo a média da região Ásia-Pacífico.

Cerca de 71 por cento dos pequenos empresários na Indonésia acreditam que a economia nacional crescerá acima da média regional de 65 por cento. Isto demonstra uma confiança relativamente forte na direcção da economia nacional, apesar de o mundo ainda estar ensombrado pela incerteza global.

Um dos principais alicerces deste otimismo é o investimento em tecnologia. Ao longo de 2025, 72% das pequenas empresas na Indonésia sentirão o impacto positivo da tecnologia na sua rentabilidade.

Este número excede em muito a média da pesquisa de apenas 56 por cento. Priya Terumalay, Chefe Regional do Sudeste Asiático da CPA Austrália, enfatizou que retornos fortes e rápidos sobre o investimento em tecnologia são o principal impulsionador da alta adoção digital entre as pequenas empresas.

Por trás desses números, existem nuances que precisam ser consideradas. Os investimentos em tecnologia ainda tendem a se concentrar em aspectos que interagem diretamente com os clientes, como aplicativos de dispositivos e sistemas de pagamento digital. Este é um passo importante, mas não suficiente para criar vantagens a longo prazo.

Tecnologia, como inteligência artificial, serviços baseados nuveme software de gestão de relacionamento com o cliente têm, na verdade, maior potencial para aumentar a produtividade e a competitividade de maneira sustentável. Isto significa que a transformação digital ainda não atingiu totalmente o núcleo das operações comerciais.

Queda nas vendas on-line

Curiosamente, embora a tecnologia seja reconhecida por contribuir para a rentabilidade, a utilização de pagamentos digitais e de vendas online registou, na verdade, um ligeiro declínio.

Até 2025, apenas 69% das pequenas empresas obterão mais de 10% das vendas de plataformas de pagamento digital, abaixo dos 74% do ano anterior.

As vendas online também registaram uma tendência semelhante, caindo de 68% para 64%. Este fenómeno pode ser lido como um sinal de que a digitalização nem sempre ocorre de forma linear e que os intervenientes empresariais ainda procuram um equilíbrio entre canais online e offline na sua estratégia empresarial.

Por outro lado, as ameaças decorrentes da evolução digital são também cada vez mais reais. Cerca de 49% das pequenas empresas relataram ter sofrido perdas devido a ataques cibernéticos, tanto em termos de tempo como de finanças.

Ironicamente, apenas 45% realizaram uma revisão da segurança cibernética nos últimos seis meses. Esta lacuna mostra que a consciência do risco não foi totalmente equilibrada com medidas preventivas adequadas.

Neste caso, o investimento em tecnologia não deve ser visto apenas como uma ferramenta para aumentar os rendimentos, mas também como um meio de proteger a continuidade dos negócios.

O optimismo em relação ao crescimento reflecte-se também no aumento do emprego. Até 40 por cento das pequenas empresas aumentarão o número de empregados até 2025, e prevê-se que este número aumente para 52 por cento em 2026.

Isso mostra que a expansão dos negócios começa a acontecer na realidade e não apenas no planejamento. No entanto, este crescimento também tem consequências, especialmente em termos de necessidades de financiamento.

Cerca de 78 por cento das pequenas empresas necessitam de financiamento externo, um número que indica que o acesso ao financiamento continua a ser uma questão crucial.

No meio de vários indicadores positivos, há uma vertente que regista um abrandamento, nomeadamente a inovação. Apenas 28 por cento das pequenas empresas planeiam introduzir novos produtos, serviços ou processos exclusivos na Indonésia até 2026, abaixo dos 37 por cento no ano anterior.

Este declínio poderá ser influenciado pelo aumento dos custos operacionais e pela incerteza global, que incentivam os intervenientes empresariais a serem mais cuidadosos. No entanto, a falta de inovação tem o potencial de se tornar um obstáculo a longo prazo se não for abordada imediatamente.
Geração jovem

É aqui que o papel da geração jovem de empreendedores se torna muito importante. Os dados mostram que 57% dos proprietários de pequenas empresas na Indonésia têm menos de 40 anos, a proporção mais elevada entre os países pesquisados.

As características desta geração são mais dispostas a assumir riscos, mais adaptáveis ​​à tecnologia e têm grandes ambições de expansão, tornando-se ativos valiosos para o futuro da economia indonésia. Eles não apenas trazem uma nova energia, mas também uma perspectiva mais aberta à mudança.

A principal força das pequenas empresas indonésias parece residir na sua capacidade de aprender e de se adaptar.

O foco na satisfação do cliente, que é considerado um dos impulsionadores do desempenho positivo em 2025, mostra que os intervenientes empresariais compreendem cada vez mais a importância da experiência do cliente na construção da fidelização. Quando isto é combinado com uma adoção de tecnologia mais estratégica e uma gestão empresarial madura, as oportunidades para alcançar um crescimento sustentável tornam-se maiores.

Contudo, o optimismo, por mais forte que seja, ainda precisa de ser apoiado pela disponibilidade para enfrentar riscos. A transformação digital, sem proteção cibernética adequada, pode sair pela culatra.

O crescimento sem inovação pode fazer com que um negócio perca relevância. E a expansão sem um forte planeamento financeiro pode criar novas pressões. Portanto, o caminho a seguir não consiste apenas em avançar mais rápido, mas também em avançar com mais cuidado.

O que esta pesquisa retrata é um cenário dinâmico de pequenas empresas, cheio de potencial, mas também cheio de desafios. O elevado otimismo é um capital importante, mas não uma garantia.

No futuro, precisa mesmo de ser traduzido em estratégias concretas, decisões sábias e coragem para continuar a aprender. Se isto puder ser feito, então o número de 86 por cento não será apenas uma esperança, mas o início de um novo capítulo em que as pequenas empresas indonésias se tornarão verdadeiramente a espinha dorsal de uma economia forte e altamente competitiva.

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Fonte: Entre

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