Contos Jurídicos | Séculos à frente de Wall Street: como a dinastia Song da China foi pioneira na moeda fiduciária global

Pelo menos o ouro brilha. Muito antes de as primeiras notas de papel flutuarem pelas casas financeiras da Europa, os movimentados mercados da China do século XI deram origem a uma “inovação” financeira sem precedentes: a utilização do papel-moeda.
Na década de 1020, sobrecarregados pela escassez de moedas de bronze e por uma economia em rápida expansão, os comerciantes da província de Sichuan, no sudoeste, começaram a emitir notas promissórias em papel. Isso marcou a gênese Jiaozio primeiro papel-moeda do mundo. Logo, com a compreensão do poder desta ferramenta pelo governo imperial, o estado Song finalmente lançou outra forma de papel-moeda, movido.
Com a emissão de Jiaozi e movidoo sistema monetário da China passou do uso exclusivo de moedas metálicas para uma era sem precedentes de decretos apoiados pelo Estado. Esta experiência foi pioneira numa prática financeira sofisticada, séculos à frente do resto do mundo.
Antes da introdução do papel-moeda, as moedas de bronze e ferro eram a força vital da economia chinesa desde o início da era imperial chinesa no século III aC. A adopção do papel-moeda apoiado pelo Estado durou quase 200 anos num dos maiores impérios do mundo.
Para colocar esta inovação numa perspectiva global, ela aconteceu numa altura em que o próprio papel estava apenas começando a ser fabricado e utilizado no Ocidente. Levaria vários séculos para que conceitos semelhantes se enraizassem globalmente. Por exemplo, o mundo ocidental não viu uma emissão governamental comparável de papel-moeda até 1690, quando a Colónia da Baía de Massachusetts emitiu notas promissórias para financiar uma expedição militar.
A adopção precoce do papel-moeda pela China não foi apenas um acidente da história, mas um reflexo de uma filosofia económica profundamente enraizada.
Ao contrário das tradições ocidentais, que muitas vezes tratam o dinheiro como um meio ascendente, resultante das exigências do comércio (e com valor intrínseco como o ouro ou a prata), os teóricos chineses defendiam uma visão diferente: o dinheiro é um artefacto do Estado, cujo valor deriva inteiramente da autoridade do governante.



