O ataque dos EUA a gangues brasileiras é uma tentativa de influenciar as eleições no país, dizem especialistas

A decisão dos EUA de classificar duas gangues brasileiras como organizações terroristas é uma decisão política que visa impulsionar um aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, filho do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, dizem políticos e analistas.
As gangues juntam-se a outros oito grupos do crime organizado latino-americanos designados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras. Mas, ao contrário dos demais, eles não operam nos Estados Unidos.
A listagem do Primeiro Comando da Capital, conhecido como PCC, e do Comando Vermelho, ou CV, ocorreu após uma visita do candidato à presidência, senador Flavio Bolsonaro, a Washington na semana passada. Ele disse que pediu aos funcionários do governo Trump que estendessem a designação a eles.
Bolsonaro espera destituir o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. A decisão dos EUA reforça as credenciais duras do senador contra o crime, ao mesmo tempo que destaca as críticas de Bolsonaro à forma como Lula lida com a segurança pública.
“O principal impulsionador desta decisão foi a política”, para pressionar Lula e ajudar Flávio antes das eleições de outubro, disse o especialista em América Latina Brian Winter, que edita Américas trimestralmenteuma publicação do Conselho das Américas, com sede em Nova York.
Carolina Grillo, professora de sociologia da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, e especialista em crime organizado no Brasil, concordou que a decisão do governo Trump visava potencialmente influenciar as eleições.
“As rotas de abastecimento de cocaína que entra nos Estados Unidos passam pela Colômbia, México e países da América Central – não pelo Brasil”, disse Grillo, acrescentando que mais de 90 por cento da cocaína apreendida no Brasil se destina a países europeus.



