Quer salvar o planeta? Pare de ser tão educado com chatbots de IA

Ignorar gentilezas como “por favor” e “obrigado” ao conversar com chatbots poderia economizar energia suficiente para atender às necessidades anuais de 760 mil residentes na África Subsaariana, destacando o enorme, mas muitas vezes oculto, custo ambiental da inteligência artificial, de acordo com um novo relatório da ONU.
Divulgado pelo Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, o braço acadêmico da ONU, o estudo publicado na quarta-feira também alertou que o verdadeiro custo da IA se estendia muito além das emissões de carbono, incluindo o consumo de água, o uso da terra e o lixo eletrônico.
Os data centers, que servem como espinha dorsal física da IA, consumiram cerca de 448 terawatts-hora (TWh) de eletricidade no ano passado. Se os data centers fossem um país, ocupariam o 11º lugar no mundo em consumo de energia, aproximadamente no mesmo nível da França.
A geração desta quantidade de eletricidade exigiu cerca de 4,5 biliões de litros de água – o suficiente para encher 1,8 milhões de piscinas olímpicas. A infraestrutura exigiu 6.900 quilômetros quadrados de terreno, o que é quase 4,5 vezes o tamanho da Grande Londres, disse o relatório.
Além disso, até 2030, a infraestrutura de IA poderá gerar até 2,5 milhões de toneladas de lixo eletrónico por ano – o equivalente ao descarte anual de 250 Torres Eiffel.
No entanto, este fardo ambiental não é partilhado de forma equitativa. Os Estados Unidos e a China acolhem atualmente 90% da infraestrutura mundial de nuvem especializada em IA, deixando as nações mais pequenas com pouco controlo sobre o acesso, preços ou governação de dados.



