Entretenimento

Milagros Mumenthaler provoca primeiro filme liderado por homens no Fórum ECAM

Roteirista e diretor argentino-suíço Milagros Mumenthaler está preparando um novo projeto que marcará uma mudança notável em sua filmografia: pela primeira vez, será centrado em um jovem protagonista masculino.

Falando com Variedade na tarde de quinta-feira, 11 de junho, depois dela Fórum ECAM masterclass em Madrid, Mumenthaler disse que o filme ainda está em uma fase muito inicial e não tem título provisório. “A única coisa que estou chamando agora é de ‘drama romântico’”, disse ela, descrevendo-o como um drama com um elemento de história de amor.

“Imaginei um jovem personagem masculino”, acrescentou Mumenthaler. “Havia algo que eu sentia que ainda devia ao meu eu mais jovem, algo mais ligado a uma história de amor.”

Questionada se o projeto seria novamente estruturado como uma produção Suíça-Argentina, como tem sido frequentemente o caso em seu trabalho, Mumenthaler disse que isso permanece em aberto. “Talvez adicionemos outro país”, disse ela. “Sempre se quer, mas nem sempre acontece. Estou apenas começando.”

Os comentários seguiram uma masterclass pública na qual Mumenthaler discutiu como ela constrói filmes a partir de imagens, locações, objetos, sons e o estado físico de seus personagens.

A sessão fez parte de uma retrospectiva de seu último longa, “As Correntes”, seu segundo filme de 2016 “A ideia de um lago”, e sua estreia vencedora do Locarno Golden Leopard“Voltar para ficar.”

Começando com uma imagem

“Para mim, a primeira coisa que acontece quando começo um filme é capturar uma sensação ou um estado de espírito”, disse Mumenthaler. “Em geral, isso vem através de uma imagem.”

Esse método já podia ser visto em “Back to Stay”, sua estreia em 2011, sobre três irmãs que moram na casa da família após a morte da avó que as criou. O filme ganhou o Leopardo de Ouro de Locarno, melhor atriz para María Canale e o prêmio Fipresci.

Em Madrid, Mumenthaler explicou o quão central aquela casa foi para o design do filme. “A casa é um lar”, disse ela, enfatizando que não queria que o ambiente de local único parecesse claustrofóbico. As janelas, as mudanças climáticas, as roupas penduradas do lado de fora e o movimento das irmãs dentro e fora dos quartos foram usados ​​para manter o mundo exterior presente.

Sua ideia principal era tratar a câmera como ligada à avó ausente. “Achei que a câmera poderia ser como a presença de um ser ausente”, disse Mumenthaler. Essa decisão moldou as longas tomadas do filme, os enquadramentos dos grupos e os movimentos lentos pelas salas.

Os objetos também carregavam a história da família: vestidos, pertences guardados, um espartilho que pertenceu à avó. “Havia algo na história que os objetos podem ter”, disse ela, descrevendo-os como vestígios do passado ainda ativos no presente.

Memória, Formato e Material

Seu segundo longa, “A Idéia de um Lago”, adaptado livremente do livro autobiográfico de fotografias e poemas de Guadalupe Gaona, “Pozo de aire”, passou da casa da família para a memória política e pessoal. O filme acompanha uma mulher grávida enfrentando o desaparecimento de seu pai durante a ditadura argentina.

Mumenthaler disse que sentiu uma responsabilidade em relação ao material porque ele vinha de uma dor real. Ela trabalhou a partir do livro de Gaona, de fotografias de família, de conversas com o autor e de viagens à casa no sul da Argentina que moldaram o texto original.

Para o filme, ela testou Super 8, 16mm, 35mm e HD antes de escolher Super 16. “Foi muito lindo fazer esse trabalho”, disse ela. “A mesma imagem em cada formato revela algo muito diferente.” Ela acrescentou: “Sou apaixonada pelo 35mm. Para mim, é o formato definitivo do cinema.”

“A Ideia de um Lago” também aguçou uma questão que permeia a obra de Mumenthaler: como mostrar o pensamento e a memória sem explicar muito. “Como pode um pensamento íntimo, ou um estado de espírito íntimo, ser representado através de imagens e sons?” ela perguntou.

‘As Correntes’: Por Dentro da Crise de Lina

Essa questão fica mais direta em “The Currents”, seu terceiro longa, que estreou mundialmente em Toronto e seguiu para San Sebastián, onde ganhou o Prêmio RTVE Otra Mirada. Vendido internacionalmente pela Luxbox e lançado nos cinemas norte-americanos por Kino Lorber, o filme é estrelado por Isabel Aimé González Sola como Lina, uma mulher que se joga nas águas geladas de Genebra e depois retorna a Buenos Aires como se nada tivesse acontecido.

Guy Lodge, revisando “The Currents” para Variedadechamou o filme de “estudo de personagem argentino elegante e indescritível” e destacou sua “construção formal meticulosa e de textura sedosa”.

Mumenthaler disse que o filme foi construído em torno da percepção de Lina. “Tudo o que é visto no filme tem a ver com ver através dela”, disse ela. Isso significou moldar o som, o vento, a água, o ruído da cidade e os gestos de dentro da crise da personagem, incluindo um ruído metálico inicial que “tinha a ver com algo que só ela está percebendo”.

Várias passagens de “The Currents” seguem mulheres que Lina vê em Buenos Aires, momentos que Mumenthaler descreveu como “voos de pensamento”, ligados a “Sra. Dalloway”, de Virginia Woolf.

A cor também estava ligada à condição de Lina: Mumenthaler imaginou Buenos Aires como uma cidade velha e cinzenta, com Lina se destacando pelas cores mais fortes. “Não foi tanto naturalismo”, disse ela. “Para mim, respondeu à ficção.”

Questionada sobre seu próximo projeto após a masterclass, Mumenthaler descreveu novamente o processo como instintivo. “Normalmente começo os projetos de uma forma muito genuína”, disse ela. “Esse personagem [the young male protagonist] veio à minha cabeça e eu queria fazer algo com ele.”


Source link

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo