Hong Kong é a sociedade mais desigual do mundo na distribuição de riqueza, segundo estudo

Hong Kong tornou-se a sociedade mais desigual do mundo em termos de distribuição de riqueza, concluiu um estudo, à medida que os principais impulsionadores da desigualdade de rendimentos na cidade passaram das disparidades salariais para a concentração de capital, reduzindo a mobilidade social.
As conclusões do estudo, que analisou a evolução da desigualdade de rendimentos e riqueza na cidade entre 1981 e 2021, foram apresentadas por Yang Li, investigador do Laboratório Mundial de Desigualdade da Escola de Economia de Paris, durante um seminário organizado pela Universidade de Hong Kong.
Yang disse que as disparidades de riqueza de Hong Kong já não são alimentadas por diferenças salariais, mas sim pela propriedade de activos de capital – que gera retornos de investimento que favorecem um pequeno segmento da população.
A participação do capital no rendimento total de Hong Kong aumentou após a crise financeira asiática – de cerca de 35% em 2000 para 55% em 2019. Isso ultrapassou significativamente outras economias de elevado rendimento, como os EUA, a Grã-Bretanha e a Alemanha, onde a participação do capital normalmente oscilava entre 20% e 30%, disse Yang.
“Os ricos passam despercebidos e investem em coisas que desconhecemos, e os montantes são, na verdade, muito, muito maiores do que o rendimento do trabalho”, disse Yang, que também é investigador avançado no Centro Leibniz para a Investigação Económica Europeia, na Alemanha.
“E apenas um pequeno grupo de pessoas beneficia do aumento da participação do capital no rendimento, porque só se pode investir quando se tem dinheiro.”



