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Opinião | Em Taiwan, a cimeira Trump-Xi ofereceu mais do que óptica

O consenso da mídia internacional após a cimeira de Pequim entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, era previsível: grandioso em termos ópticos, mas com pouca substância. Rejeitá-la por estes motivos ignora a história mais profunda de como a cimeira marcou um ponto de viragem na forma como Washington e Pequim gerem a sua rivalidade, especialmente em relação a Taiwan.
Para entender para onde vai essa relação, é necessário um breve desvio histórico. Em Abril de 2001, o então presidente dos EUA, George W. Bush, afastou-se do antigo roteiro de ambiguidade estratégica ao declarar numa entrevista televisiva que os Estados Unidos fariam “tudo o que fosse necessário para ajudar Taiwan a defender-se”.
Foi uma afirmação extraordinariamente contundente. Durante a sua primeira candidatura à presidência, Bush enquadrou explicitamente a China como um “concorrente estratégico”, anunciando o que muitos esperavam serem anos de laços amargos e de confronto.
Esse roteiro foi rasgado apenas cinco meses depois pelo Ataques terroristas de 11 de setembro. À medida que o contraterrorismo se tornou a principal prioridade, Washington começou a enfatizar a cooperação pragmática com Pequim.
Neste clima, Washington e Pequim trabalharam em conjunto para conter o então líder de Taiwan, Chen Shui-bian. Encorajado pelo apoio anterior de Bush, Chen empurrou um referendo sobre se Taiwan deveria comprar defesas antimísseis avançadas se Pequim continuasse a apontar mísseis para a ilha.
Depois que os avisos privados aparentemente falharam, Bush repreendeu publicamente Chen em Dezembro de 2003, juntamente com o primeiro-ministro Wen Jiabao, em Washington, declarando que os EUA se opunham a “qualquer decisão unilateral da China ou de Taiwan para alterar o status quo”. Embora as autoridades norte-americanas tenham negado publicamente, Bush descreveu Chen, em privado, como um “encrenqueiro”.

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