Tarifa de carbono da UE causa estragos na China enquanto empresas siderúrgicas enfrentam regras “absurdas”

À medida que as tensões comerciais entre Pequim e Bruxelas continuam a aumentar, as empresas chinesas na União Europeia foram forçadas a caminhar numa corda bamba delicada: expandir a sua presença no mercado lucrativo enquanto enfrentam obstáculos regulamentares cada vez maiores e rápidas mudanças geopolíticas. Na primeira parte desta série de três partes, analisamos um novo e complexo sistema tarifário de carbono da UE que deixa os empresários coçando a cabeça.
Neil Miao exporta ferragens metálicas para a Europa há anos. Mas no início deste ano, as suas ordens de compra começaram a chegar com um novo documento que ameaçava desorganizar os negócios.
Era uma planilha complexa com várias guias que exigia fileiras e mais fileiras de dados técnicos: desde as coordenadas exatas da fábrica até a intensidade de carbono dos materiais upstream. A pequena empresa de Miao na província de Hebei, no norte da China, não tinha capacidade para acompanhar – ou mesmo compreender – as métricas.
Mas isso não importava para o cliente alemão da empresa. A menos que o formulário fosse preenchido, a carga não passaria pela alfândega europeia, disse Miao.
Miao está entre centenas de milhares de fabricantes globais que lutam para se adaptar ao Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM) da União Europeia – um sistema tarifário de carbono que entrou na sua fase de implementação em Janeiro.
O novo regime visa evitar a “fuga de carbono”, garantindo que quaisquer produtos que entrem na União Europeia enfrentem os mesmos custos relacionados com o carbono que os produtos produzidos internamente. Mas na China, muitos produtores dizem que a política está a criar montanhas de burocracia, ao mesmo tempo que muitas vezes não consegue atingir os objectivos declarados.



