A UE “deve” mudar para energias renováveis para acabar com a “chantagem dos combustíveis fósseis de regimes autoritários que impulsionam a guerra” – Spotlight

François Picard tem o prazer de dar as boas-vindas a Hannah Neumann, eurodeputada alemã, Verdes/EFA e presidente da Delegação do Parlamento Europeu para o Irão. Ela oferece análises sobre a crescente instabilidade geopolítica em torno do Irão, a segurança energética e a posição estratégica da UE numa ordem global cada vez mais fragmentada. Segundo Neumann, a questão central não é apenas a volatilidade das negociações, mas a sua falta de clareza e coerência. Do seu ponto de vista, “o principal problema é que eles nem sequer têm um foco claro sobre o que estão negociando”.
Ela argumenta que os actuais esforços diplomáticos sofrem de uma ausência de objectivos definidos, no que diz respeito à política nuclear, à segurança marítima no Estreito de Ormuz, ou a questões mais amplas relacionadas com o regime. Ao mesmo tempo, ela lança luz sobre um ponto cego crítico: a exclusão sistemática da sociedade civil iraniana do discurso internacional, exacerbada pela repressão digital.
Entretanto, coloca a vulnerabilidade da Europa na sua dependência estrutural dos combustíveis fósseis, o que a expõe à coerção geopolítica. As guerras no Médio Oriente e na Ucrânia “mostram quão interligados estão estes diferentes conflitos e quão absurda é a situação”.
Caso em questão: enquanto a UE chegou a uma solução com a Hungria para oferecer uma tábua de salvação de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, o petróleo que flui através do oleoduto Druzhba também “apoia a economia de guerra russa”. Ela afirma que a verdadeira autonomia política da União Europeia só pode emergir através de uma transição decisiva para as energias renováveis: Entretanto, “estes regimes autoritários impulsionadores da guerra podem basicamente chantagear-nos com a sua energia fóssil”.




