Liberdade de imprensa global cai para o nível mais baixo em 25 anos, alerta RSF

A classificação anual da ONG, criada em 2002, utiliza uma escala de cinco pontos para avaliar o nível de liberdade de imprensa num país, variando de “muito grave” a “bom”.
O índice deste ano revela uma tendência global de restrição da liberdade de imprensa.
“Pela primeira vez nos 25 anos de história do índice, mais de metade dos países do mundo enquadram-se agora nas categorias ‘difícil’ ou ‘muito grave’ para a liberdade de imprensa”, afirmou. RSF disse.
A proporção da população que vive num país onde a situação da liberdade de imprensa é “boa” despencou, caindo de 20% para “menos de 1%”, afirmou.
Apenas sete países do norte Europa são classificados como “bons”, com Noruega recebendo a classificação mais alta. França ocupa a 25ª posição, com uma pontuação ‘”satisfatória”.
“Em 25 anos, a pontuação média de todos os países estudados nunca foi tão baixa”, afirmou a ONG.
Os Estados Unidos receberam uma classificação “problemática” e caíram sete posições, para a 64ª posição, entre Botsuana e Panamá.
A organização disse que os EUA Presidente Donald Trumpos ataques do presidente à imprensa tornaram-se “sistemáticos”, resultando em incidentes como a detenção e subsequente deportação do jornalista salvadorenho Mario Guevara, que fazia reportagens sobre as detenções de migrantes nos Estados Unidos.
Trump também supervisionou uma redução drástica no financiamento da radiodifusão internacional dos EUA.
A RSF também destacou as quedas dramáticas de El Salvador (143º), que caiu 105 posições desde 2014 após o lançamento de uma guerra contra as gangues criminosas de Maras, e Geórgia(135.º), que caiu 75 posições desde 2020 devido a uma “escalada da repressão”.
O declínio mais acentuado em 2026 é atribuído a Níger (120º, queda de 37 posições) devido à “deterioração da liberdade de imprensa no Sahel ao longo de vários anos”, em meio a “ataques de grupos armados e (das) juntas governantes”, disse a RSF.
Arábia Saudita (176º, caindo 14 posições), onde o colunista Turki al-Jasser foi executado pelo Estado em junho – “um acontecimento único no mundo” – está sentado ao lado Rússia, Irã e a China no último lugar da classificação, que é completada por Eritreia (180º).
Em contraste, Síria (141º) saltou 36 posições após a queda do regime de Bashar al-Assad.
(FRANÇA 24 com AFP)




