OMS alerta marcas de bolsas de nicotina direcionadas aos jovens à medida que as vendas aumentam

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emite hoje um forte alerta sobre a rápida expansão global dos produtos em bolsas de nicotina, que estão a ser comercializados agressivamente para adolescentes e jovens. A OMS observa que a regulamentação em muitos países é limitada ou inexistente, levantando preocupações sobre a dependência da nicotina entre os jovens e os riscos para a saúde relacionados.
O relatório surge na preparação para Dia Mundial Sem Tabaco (31 de Maio), que este ano se centrará na dependência do tabaco e da nicotina e nas tácticas utilizadas pela indústria para fisgar uma nova geração de consumidores.
As bolsas de nicotina são pequenos sachês colocados entre a gengiva e os lábios que liberam nicotina através do revestimento da boca. Eles normalmente contêm nicotina, aromatizantes, adoçantes e outros aditivos. As vendas no varejo de bolsas de nicotina atingiram mais de 23 bilhões de unidades em 2024, aumentando mais de 50% em relação ao ano anterior.
“O uso de bolsas de nicotina está se espalhando rapidamente, enquanto a regulamentação luta para acompanhar o ritmo”, disse o Dr. Vinayak Prasad, Chefe da Unidade da Iniciativa Livre do Tabaco da OMS. “Os governos devem agir agora com salvaguardas fortes e baseadas em evidências.”
O primeiro relatório global da OMS sobre o tema intitulado, Expor táticas e estratégias de marketing que impulsionam o crescimento das bolsas de nicotinafoi desenvolvido em resposta a pedidos de países que procuravam orientação oficial da OMS sobre bolsas de nicotina e como os governos deveriam responder. O mercado global de bolsas de nicotina valia quase US$ 7 bilhões em 2025.
A OMS sublinha que a nicotina em si é altamente viciante e prejudicial, especialmente para crianças, adolescentes e jovens adultos cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento. A exposição à nicotina durante a adolescência pode afetar o desenvolvimento do cérebro, incluindo impactos na atenção e na aprendizagem. O uso precoce de nicotina pode aumentar a probabilidade de dependência a longo prazo e de uso futuro de outros produtos de nicotina e tabaco. O uso de nicotina também aumenta o risco cardiovascular.
Lacunas regulatórias deixam os jovens expostos
As bolsas de nicotina muitas vezes passam por falhas regulatórias:
- cerca de 160 países não possuem regulamentação específica;
- 16 países proíbem a sua venda; e
- 32 países os regulamentam de alguma forma, incluindo:
- 5 sabores restritivos
- 26 restringindo vendas a menores
- 21 que proíbe publicidade, promoção e patrocínio.
Os governos estão a ver a utilização destes produtos espalhar-se rapidamente, especialmente entre adolescentes e jovens que estão a ser agressivamente alvo de tácticas enganosas”, afirmou o Dr. Etienne Krug, Director do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção e Prevenção da OMS. “Estes produtos são concebidos para o vício e há uma forte necessidade de proteger os nossos jovens da manipulação da indústria.”
Táticas de marketing projetadas para atrair usuários jovens
O relatório destaca táticas generalizadas da indústria para atrair o público mais jovem, incluindo:
- embalagem elegante e discreta;
- sabores como chiclete e ursinhos de goma;
- marketing de influenciadores e promoção pesada nas redes sociais;
- patrocínio de shows, festivais e eventos esportivos, inclusive Fórmula 1;
- marca de estilo de vida aspiracional; e
- mensagens que incentivam o uso discreto em escolas e ambientes livres de fumo.
Algumas embalagens imitam doces ou marcas de doces populares, aumentando os riscos para as crianças pequenas.
O relatório alerta que todas estas tácticas são concebidas para normalizar o consumo de nicotina, diminuir a percepção de risco e atrair uma nova geração de consumidores para a dependência da nicotina.
Apelo a uma ação urgente
A OMS insta os governos a adoptarem regulamentação abrangente que abranja todos os produtos de tabaco e nicotina, incluindo bolsas de nicotina. As medidas recomendadas incluem:
- proibições ou fortes restrições aos sabores;
- proibições de publicidade, promoção e patrocínio, inclusive nas redes sociais e uso de influenciadores;
- forte verificação de idade e controles de varejo;
- advertências de saúde claras e embalagens simples;
- limites para a quantidade de nicotina permitida;
- tributação para reduzir a acessibilidade e dissuadir a utilização pelos jovens;
- vigilância de padrões de uso e táticas da indústria; e
- forte aplicação de políticas.
As bolsas de nicotina não devem ser consideradas isentas de riscos. No entanto, alguns produtos estão a ser vendidos em vários níveis de dosagem, comercializados como “iniciantes”, “avançados” e “especialistas”, com quantidades de nicotina rotuladas em até 150 mg.
A OMS insta os jovens a reconhecer e rejeitar as tácticas da indústria destinadas a fazer com que o consumo de nicotina pareça normal. Uma acção urgente e coordenada pode hoje ajudar a proteger uma nova geração da dependência da nicotina.
Notas aos editores
O relatório baseia-se no relatório do Grupo de Estudo da OMS sobre Regulamentação de Produtos de Tabaco e Relatório da OMS para a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. Responde diretamente aos pedidos dos Estados-Membros de provas e orientações políticas sobre bolsas de nicotina.
Seções de referência relevantes
Capítulo 4 – Grupo de estudo da OMS sobre regulamentação de produtos de tabaco. Relatório sobre a base científica da regulamentação dos produtos do tabaco: nono relatório de um grupo de estudo da OMS. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2023 (Série de Relatórios Técnicos da OMS, No. 1047). Licença: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.
FCTC/COP10/6 (páginas 16 e 17) – Relatório de progresso sobre questões técnicas relacionadas aos artigos 9 e 10 da CQCT da OMS (Regulamentação do conteúdo e divulgação de produtos de tabaco, incluindo narguilé, tabaco sem fumaça e produtos de tabaco aquecido). Julho de 2023
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