Opinião | 3 caminhos para a estabilidade num mundo dominado por conflitos

A remodelação do sistema económico global que estamos a testemunhar entrou numa fase aguda. Isto levanta várias questões. Quando o mundo retornará a uma condição mais estável? Não menos importante, que lugares irão ocupar os países-chave na nova configuração?
Para responder a estas questões, é útil olhar os acontecimentos actuais através do prisma dos conflitos interestatais sistémicos, que estão entre os principais marcadores de tais transformações. Por conflitos sistémicos, contudo, deve-se entender não apenas os conflitos militares, mas também um confronto mais amplo que envolve guerras comerciais e financeiras, a competição por recursos e mercados e a reconfiguração das rotas comerciais.
Por outras palavras, o actual conflito sistémico não deve ser visto como um conjunto de episódios separados – como a guerra EUA-Israel contra o Irão no Médio Oriente, a invasão da Ucrânia pela Rússia ou a guerra tarifária EUA-China – mas sim como uma etapa na reestruturação mais ampla do sistema mundial.
Se olharmos para a recorrência de crises globais de diferentes escalas e naturezas, várias fases podem ser provisoriamente identificadas. Aproximadamente a cada 70 a 100 anos, surge uma grande crise à escala global, associada a uma mudança na liderança mundial e na ordem internacional. Aproximadamente a cada 40 a 60 anos, o paradigma tecnológico e económico muda, e depois, aproximadamente a cada 25 a 30 anos, a arquitectura interna de uma determinada fase muda.
Deve-se notar, no entanto, que a espiral histórica parece estar se estreitando, o que significa que esses intervalos também podem estar diminuindo. Estes intervalos não devem ser considerados como regularidades históricas estritas, mas antes como parâmetros sistémicos provisórios.
Vimos vários desses ciclos nos últimos dois séculos. De 1815 a 1914 foi o relativamente longo século XIX após as guerras napoleónicas, marcado pela hegemonia marítima e financeira britânica, pela expansão do comércio mundial e pelo início da industrialização.



